Rosedale como nunca o viu (ouviu!)

Philip Rosedale, 40 anos, vive na Califórnia.

Fundador da Linden Lab, empresa que criou o Second Life.

Linden Lab tem 300 funcionários.

Sede: São Francisco, Califórnia.

 

 

 

Assume que ter deixado de ser o CEO (é agora Chairman of the Board) da Linden Lab foi uma coisa fantástica que lhe aconteceu. Agora, Philip tem menos reuniões e mais tempo para fazer o que gosta mais: ser designer.

O dia de Philip é agora divido em duas partes distintas: uma marcada por reuniões, mas em número muito mais reduzido do que anteriormente, outra, em que “mete as mãos” na parte de desenvolvimento e pesquisa da plataforma.

Participou directamente na melhoria do mapa do Second Life e adorou fazer isso até porque lhe permitiu ter mais tempo para “passear” pelo SL.    

 

Descoberta feita durante a entrevista, foi a de que a mulher de Philip Rosedale tem ligações familiares a Portugal. A avó dela é (era?…) açoriana (ou pelo menos viveram lá… devido, mais uma vez aos famigerados problemas técnicos não dá para perceber com clareza qual das hipóteses é). No entanto, nem ela nem Philip conhecem Portugal, nunca cá estiveram.

 

 

 

Nas próximas linhas (muitas, diga-se!) estão patentes algumas das ideias que, devido a dificuldades técnicas, não puderam constar na Grande Reportagem da TSF “A Segunda Pele” (Ricardo Oliveira Duarte, com sonoplastia de Herlander Rui)

 

 

“Embora encaremos, hoje, a Internet como um meio muito aberto, massificado, a verdade é que ela depara-se ainda com alguns problemas, dificuldades significativas.

A forma como as pessoas, hoje em dia, mais comunicam na Internet é através da web, da consulta de informação em sites, e isso parece-me ser uma excelente forma de fazer as coisas, por certo que trouxe algumas mudanças nas experiências das pessoas, no geral, no entanto continuam a existir problemas significativos no uso de meios de comunicação “planos”, baseados em texto, para comunicar.

Um deles é a língua: na Internet, a web, toda a navegação é baseada em “cliques” em links de texto, os hiperlinks são a forma como ligamos a informação. O problema que isso acarreta, e que se está a tornar cada vez mais óbvio, é que em todo o Mundo as pessoas falam línguas diferentes, e a maioria das pessoas, ao longo da vida, só aprende uma língua. Isso quer dizer que, por exemplo, toda a web chinesa, a Internet chinesa, não está ao meu alcance. Eu não falo chinês, logo não posso clicar nos links… num site chinês eu não sei ir da “homepage” para outro lado qualquer, não saio dali.

Acredito que os mundos virtuais, e o Second Life, são uma solução consideravelmente melhor. Eles apresentam um Mundo onde podemos navegar, mesmo que não entendamos a língua-base. Eu, neste momento, estou aqui sentado, a falar consigo numa parte do SL que foi concebido e está escrito numa língua que eu não falo, no entanto não tive qualquer problema em andar lá por baixo, olhar para os cartazes e para o que lá estava e perceber o que queria aquilo dizer. Mesmo não falando a língua, eu percebi para que serviam. Julgo que isso será a característica que vai permitir aos mundos virtuais terem um impacto muito grande no Mundo real e serem melhores do que a Internet, a capacidade de serem globais e inclusivos.

Mesmo sendo os Mundos virtuais complicados de usar hoje em dia, penso que assim que se consegue ultrapassar a fase inicial, a de perceber o interface com que nos deparamos, de aprendermos a comunicar nele, o resto do processo de aprendizagem aqui é muito mais fácil do que na Internet. A aprendizagem que exigem ferramentas como o Google ou o Facebook é mais complicada do que a de um Mundo virtual como o SL. Por isso mesmo, acredito que os mundos virtuais podem ser uma oportunidade para as pessoas estarem “online” e comunicarem umas com as outras, de forma global, de uma forma mais fácil e inclusiva do que aquela que temos hoje.”

 

        

“Sei que as pessoas, por vezes têm uma visão muito negativa do Second Life, mas também sei que noutras situações elas sentem o contrário.

Os sentimentos positivos que o SL desperta nas pessoas fazem com que me sinta muito bem por ter criado isto, esta plataforma. O facto de as pessoas ficarem deslumbradas (no bom sentido), quando alguém entra, pela primeira vez no SL e me manda uma mensagem instantânea a felicitar-me…isso faz com que o meu dia seja muito melhor!

É verdade que recebo muito mais mensagens do que aquelas a que consigo responder, mas são muito menos do que aquilo que possa imaginar. Penso que, por vezes, as pessoas têm medo dos criadores das coisas, por isso têm algum receio em falar com elas… Provavelmente ficaria surpreendido com o número de mensagens que eu recebo, poderá pensar que serão largas centenas, mas na realidade não são assim tantas.”

 

 

“(respondendo a uma questão sobre uma possível compra do Second Life por parte da Google) Não sei! A questão sobre alguém nos comprar  prende-se com o facto de ainda estarmos numa fase inicial, ainda estamos a começar e, depois, há a questão de, nosso caso, a tecnologia ser muito específica e diferente de tudo o que os outros estão a fazer e têm feito.

Fala-se muito que esta ou aquela empresa vai comprar a Linden Lab, mas eu encaro isso sob a pergunta: será que podemos fazer com que o Second Life cresça mais depressa ao vendê-lo? Ou a fazer parte de outra empresa?

A minha resposta a isso é que, do ponto de vista técnico, não me parece que ele possa crescer de forma mais rápida através desse processo.

Nós temos feito bem a parte de pensar o que fazer para que tudo funcione melhor e maior, que mais pessoas o usem. A maior parte das respostas para essas questões que colocamos dentro da empresa residem em questões tecnológicas e desafios que teremos de enfrentar. O software que utilizamos é fora do comum e até grandes empresas como a Google não têm grande experiência a trabalhar com ele, sobretudo na parte de se dar a possibilidade às pessoas de construírem o que querem e que torna o SL diferente, não só do ponto de vista experimental, mas também do tecnológico.

As pessoas do Google são fantásticas, damo-nos muito bem, afinal, eles estão ali mesmo no fim da nossa rua… Mas trabalhamos em coisas muito diferentes.”

 

 

 

   

Ricardo Oliveira Duarte

3 Responses to “Rosedale como nunca o viu (ouviu!)”

  1. ElectroescadaS Says:

    Novo autor do Tagus? Parabéns:mrgreen:

  2. Aradhana Luminos Says:

    Fiquei esclarecida… (fiquei?)😉

  3. Afro Says:

    Bem antes de mais, muitos parabéns Ricardo. Conseguiste fazer a melhor reportagem que o nosso país já viu sobre o SL. Só esperamos todos que o interesse em mostrar o que fazemos de bom continue por parte dos media😉

    E é com muiiiito pazer que dou as boas vindas Ricardo como autor aqui🙂 … :DDDD

    Quanto ao Mr Rosedale Linden, sem dúvida que o seu avatar deixa muito a desejar. Dizem as boas e as más línguas que na RL é bem mas jeitoso eheheheh..😛 Quem sabe até eu começo a lhe mandar IMs…afinal se ele diz que recebe menos do que parece… até foi giro falar com ele. E ainda bem que é mais acessível do que à partida quer parecer ;))


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