A Vingança do Merceeiro

Não foi assim há tantos anos, que a mercearia do bairro era por natureza um ponto de encontro. Ali, por entre variedades de tudo e mais alguma coisa, tínhamos a figura do merceeiro que estava sempre por perto e que tinha um importante papel dentro da rede social que era o bairro e o seu próprio estabelecimento.

O sucesso do seu negócio passava mesmo que indirectamente pela sua personalidade, porque quase tão importante como o serviço e os preços era a forma com que estava e como socializava com os clientes. Numa mercearia, era como um opinion maker em que as pessoas conversavam e em que o merceeiro com a sua personalidade, ia intervindo e fazendo a “casa” ou seja acabava por existir uma fraca linha entre o negócio e a amizade que tinha pelos clientes, que muitas vezes transformava em amigos.

Em poucos anos tudo mudou. Com a chegada das grandes superfícies, os donos das grandes mercearias passaram a comunicar para massas com spots de tv , grandes cartazes que nos ocupam a vista e passaram a fazer estudos de mercados baseados em percentagens, além das tradicionais promoções “pague um leve dois”, “compre e ganhe um Porsche” e afins que todos conhecemos. Na caixa registadora, é certo que encontramos simpatia muitas vezes e pessoas desejosas de comunicar. Mas existe uma fila, um tempo médio de espera e de atendimento para cada cliente e essas condicionantes são extremas, não deixando o mínimo espaço para que uma rede social, seja ela qual for, se desenvolva com a marca. Mas sempre podemos levar mais uns pontos num cartão que ao fim de x nos dá y…

As redes sociais na internet são cada vez mais um caminho de futuro. Recentes estatíscas referem que o uso da internet está a ganhar mais users relativamente a outros meios de comunicação como a “velha” televisão e nas redes sociais os outdoors não vendem e muito facilmente podem ignorados, são estáticos inertes e não interagem.

Aliás reproduzir réplicas exactamente iguais, de locais que existem na vida real também não, porque “cortam” aquilo que o SL mais promove: a fantasia e a imaginação. Prefiro sem dúvida nenhuma, uma praça saida do imaginário inspirada e viva,  do que uma saída de uma régua e esquadro certinhos. Se dúvidas tiverem, analisem quais são os ambientes com mais tráfego real dentro do metaverso…

Nas redes sociais, em mundos virtuais como o Second Life, as empresas vão ter de aprender a ser merceeiros: a socializar directamente com os potenciais consumidores e criar amizades que seja efectivas com os grupos criando eles as suas próprias redes.

As empresas têm a obrigação, de rapidamente entender estes novos conceitos, deixando de ver os mundos virtuais como uma ameaça para iniciar uma exploração e pesquisa destes novos mundos. Que neste momento podem ser apenas um “nicho” de mercado mas que a passos largos caminham para ser muito mais do que isto.

O velho merceeiro curioso sorri malandro… e paga para ver como as empresas vão vestir o seu avental social nestes novos desafios.

É obvio que o personagem do merceeiro é meramente indicativa. Muitos de nós encontraremos dentro das nossas memórias outras personagens que nos digam mais. Mas a essência da comunicação directa e nos dois sentidos, essa sim, é importante.

Beijos & Abraços

Rui Lourenço

aka

Tpglourenco Forcella

3 Responses to “A Vingança do Merceeiro”

  1. Katie Says:

    The local grocer, a wonderful memory for some, a painful one for me. When the supermarkets dragged away my customers, it cost me dearly. A loss of some £50,000!

    I think I shall stick with the internet now, it’s cheaper🙂

  2. Aradhana Luminos Says:

    O teu texto aborda um problema que já se vai colocando há algum tempo.
    Recordo, por exemplo, quando o primeiro Pão de Açúcar abriu em Vila Nova de Gaia. O pânico nos pequenos comerciantes instalou-se! Acabou por verificar-se que existia espaço para todos, mais ainda, acabou por verificar-se que muita gente preferia um atendimento personalizado e directo, mesmo que isso custasse uns escudos (na altura ainda eram escudos) a mais.

    O Pão de Açúcar foi absorvido pelo Belmiro de Azevedo. Os mais corajosos dos pequenos comerciantes, mantiveram-se e acabaram por ampliar os seus negócios.

    Por outro lado, temos os bancos a informatizar tudo o que é agência, a “dispensar” funcionários, porque as máquinas fazem o trabalho desses mesmos funcionários.
    Mas será que fazem? Cada um que aponte as suas próprias dificuldades, sendo certo que, em vez de um nome e um aperto de mão, somos um número e esperamos, (muitas vezes ao mau tempo) que a máquina faça as operações que os humanos deveriam fazer.

    Quero com isto dizer, que pode ser um pau de dois bicos e que o encantamento de se viver ao vivo e sob o calor humano determinados factores da nossa vida social, poderá transforma-se em algo robotizado, se não se tiver o cuidado de, vincular de forma o mais humanamente possível, todas as pretensões que movem os detentores destes projectos de, a médio prazo, poderem perder, significativamente, os users que agora conseguirem captar.

    Bjinho🙂

  3. TP Says:

    Beijinho querida😉


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