Para reflectir… e pensar no que está do outro lado de lá e cá da telinha

Post finalmente publicado. Mais vale tarde que nunca, já amplamente discutido, mas já que tanto se fala em relações…SL, RL e SL/RL e RL/SL….

“Tentei comentar este post do Piedro, seguido do da Summer, mas não consegui. Sabia de antemão que será um testamento… porque dão “azo” a inumeras questões, muitas das quais já muito debatidas, outras que envolvem de perto aquele que é me algo muito querido…o “meu” Tagus (olha para mim a ser ingaista :P) .  

Mais valia fazer um post próprio. Com as questões, com algumas respostas, alguns comentários, algumas preocupações, quem sabe algumas soluções?

“…, cinco pessoas, dois dos quais gays, com um envolvimento real entre eles, mas entretanto saturaram-se um do outro, tendo terminado a relação, e inclusive abandonado a SL, pois consideraram que foi a SL que degradou completamente a relação deles, pelo conhecimento de novas pessoas, tendo ” destruído ” o grupo, e alimentado uma forte tristeza nos outros elementos depois de anos de relacionamento.”

 Questão 1: O SL poderá prejudicar as nossas amizades e grupos RL?. 

Resposta correcta: SIM. Não nos enganemos, amigos. A resposta será sempre PODE. PODE porque deixamos de ter tanto tempo para sair com eles (afinal também gostamos de estar com o nosso grupo de amigos selianos), pode porque damos por nós a ter de combinar coisas com antecedência (porque nos comprometemos a estar in-world numa dada noite), pode porque se eles não compreenderem esta nossa vivência SL “chocam de frente” com as nossas opiniões (e acabamos por nos afastar), pode porque se eles também estiverem no SL, podem vir a desenvolver novas amizades, preferir outros grupos (e nós podemos não perceber porquê)… Cabe a cada um de nós tentar fazer com que isso não venha a ocorrer. E ir tentando “puxar” estes nossos amigos, em grupo ou em separado, a juntar-se a nós nesta nossa segunda vida.

uma ausência de largos dias que na 1ª noite de ausência tinha sonhado com a SL e com avatares, manifestando preocupação pela dependência, uma necessidade de se afastar parcialmente, e o quão bem lhe fez esse afastamento temporário, e que garantidamente o futuro em termos de segunda vida seria mais reservado doravante.”


Questão 2: O SL “entrará” em demasia na nossa RL?

Talvez. Depende do grau de vício. Novamente não nos enganemos: isto, por muito que digamos que não, é viciante. De todos os amigos, não conheço um caso de alguém que nunca tenha dito que o tempo corre e “agarra-nos” ao SL. Que uma hora passa a voar e perde noção das horas. Que despedidas de amigos podem durar horas, e que mesmo que só queiram entrar por 5 min acabam por ficar mais de uma hora. E depois, temos o grau de envolvimento pessoal e relações dentro do SL. As relações SLianas entre avatares nem sempre são fáceis. Sofrem do mesmo das relações RLifenas, com intensidade (como sempre) intensificada. Sejam amizades, sejam namoricos. Comecei a ver este video, que apesar de (ainda) não ter conseguido acabar…. acho que exemplifica algumas das influências que o SL pode ter na nossa RL. Claro que novamente, cabe a nós saber onde queremos parar ou abrandar este envolvimento. Estratégias? “Dar um tempo” ao SL e dedicarmo-nos a amigos e familia RL,  garantir que em cada relacionamento In world o vosso “parceiro avatar”e respectivo ventriloquo estão “na mesma onda”,  criar alts e clones que vos permitam usufruir de todas as potencialidades do SL (construir, explorar, etc) e dar outras perspectivas do mesmo … ficarem “sós” a desfrutar do mesmo sem criarem relações com ninguém…

“a necessidade de ganhar dinheiro para fazer umas compras, e a decisão de fazer strip, ou eventualmente ir mais longe…”

“São degradantes os valores humanos generalizados que encontramos na SL, pelo menos comigo. Acontece o mesmo convosco? Torna-se assustador a determinada altura, apesar de ter uma forte consciência social sobre a degradação efectiva desses mesmos valores na realidade.”

Questão 3: Até que ponto queremos “ir” ou nos envolver no SL?

Questão 4: Será o SL uma realidade virtual… um mundo sem valores? Sentir-me-ei incomodado por isso?

Como é que arranjo trabalho?” “Como é que faço dinheiro?”. Estas são algumas perguntas que alguns newbies fazem, ainda nem sequer sairam da ilha de orientação. E tal como na RL, existem vários modos de o fazerem. É verdade que agora se ouve falar menos, mas todos sabem que existem verdadeiros centros de se*o no SL. Que existem escorts e strippers estão vulgarizados. Será isso dizer que o SL não tem valores morais? Acho que não. Afinal mais do que por vezes na RL, ser escort, stripper ou o que for é uma questão de opção. O que não falta in world são actividadades e coisas frees. Ninguém morre no SL por falta de dinheiro. Existe sempre opção. E se algumas pessoas decidem que o “seu mundo” e a s “sua imaginação”passa por strip, ou eventualmente ir mais longe… afinal isto é mundo com valores e com regras (sujeito a TOS). Claro que a imaginação pode levar onde nós quisermos. E poder ter liberdades e fazer coisas que não nos passariam pela cabeça na RL. Porque afinal…porque não…se for essa a nossa opção?

“Sou um avatar muito real, para quem não me conhece, muito decidido e objectivo, um touro autêntico, de força e de coragem, mas muito emocional e romântico. Mas este fds levantou em mim sérias dúvidas, e alguma instabilidade emocional, que preocuparam-me, pois eu não sou assim, ou melhor, luto por não o ser.”

Questão 5: Valerá a pensa existir ou viver na SL, unicamente como amigo virtual?

Retorno a questão: já tiveste amigos de Hi5 e Msn que nunca conheceste mas sentiste a vontade de os conhecer? Se sim, procuras no SL amigos para a RL. Se não, procuras no SL amigos SL. Alguém que continue por detrás da telinha.  Se compareces a encontros e assembleias, procuras muito mais que amizades virtuais. É novamente, uma questão de opção.

“Fico surpreendido pela negativa com a filtragem do chat, e a cada vez maior predominância desses temas, in-world, of course. Isto são factores comuns à SL, onde se verificam perseguições alucinantes, e que conduzem muitas pessoas a desistirem da SL, mas fico muito triste por ver e observar amigos e amigas demasiado envolvidos em jogos de emoções, com lamentos apraz eloquentes, roçando por vezes uma falta de dignidade individual gravissima.”

Questão 6: Será que o tema sexo e erotismo generalizou-se ao grupo Tagus?

Na minha opinião não é uma questão do grupo nem do SL. Se almoçasses comigo e com os meus colegas de trabalho, 80% das conversas são galhofas sobre isso, mariquices e afins. A mim não me incomoda. Sou crescida e também gosto de brincar com algumas situações. Quem anda no SL é suposto ser já “crescido”e poder ouvir algumas brincadeiras de vez em quando. Claro que tudo tem limites. Quando relacionamentos (ou tentativas) levam ao que tu dizes (e eu também conheço alguns casos): “jogos de emoções”, “lamentos apraz eloquentes”, “fragilidade de certas pessoas” com sentimentos REAIS isso sim é grave. Pessoas que levam outras pessoas a desistir do SL, amigos apaixonados por alguém que não quer nada com eles e se afastam…Pois isso também existe no SL. Tal como na RL. Existe também em outros chats e afins, mas no SL todos sabemos a intensidade é maior. O meu melhor conselho (e que ainda hoje tento seguir “à risca”): não se envolvam com ninguém que possa não estar na vossa “onda”. Se querem um parceiro de dança ou marido SL, digam-no de antemão. Se procuram no SL alguém para a RL, tentem arranjar alguém que também o queira. Já é demasiado complicado quando à partida têm uma perspectiva ou vontade e no final envolvem-se mais do que queriam. Tentem por tudo evitar chatices com sentimentos RL. Doiem sempre mais que sentimentos SL…pois o nosso coração não é feito de bytes e bites.

Acima de tudo a Tagus não é uma comunidade de amigos?

É (quase) só isso. E como todas as comunidades, têm elos fortes, elos fracos, elos manipuladores, elos passivos… Cada elo tem os seus valores, as suas forças, a sua formação. Não podemos moldá-los para os nossos: o que conta é a diversidade. É esse (também) o espirito do Tagus. Não se esqueçam que o Tagus actualmente tem mais de 800 900 “inscritos” e todos sabemos que apesar de nem todos usarem o chat, é um dos chats mais activos da comunidade tuga. Se o é, é graças a um grupo aos amigos que o utilizam como ponto de encontro, estejam lá onde estiverem na rede. É esse o espirito do Tagus. Claro que nem todos estes amigos se encontram sempre…alguns só conhecemos o nome. Podia, para evitar confusões, simplesmente voltar a “barrar” o chat geral para evitar confusões. Mas não iriamos todos ter saudades de entrar e dar um olá para saber onde estão os amigos?”

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Tenho pena que, desde que escrevi estas palavras, tenha perdido alguns taguenses de entre os amigos. Custa ver que, pessoas a quem nos habituámos, deixaram de fazer parte do nosso dia a dia. Custa ainda mais saber que estão lá… mas não estão junto de nós.
Esta vossa Deusa tem sempre se empenhado a responder àquilo que alguém um dia lançou o desafio. Mais um dos posts em draft: “As alianças ( ou A proliferação de ilhas e de blogues na comunidade lusófona, como afirmação de identidades diferentes)” … mas que um dia irei escrever. UM de cada vez. Porque afinal, todos somos livres. Temos o espirito do Tagus nas veias, buscar a liberdade. Mas tentando sempre manter os pés “em terra mãe”…e deixem ligado algum cordão umbilical. Neste caso, na Deusa. Deixem que ela partilhe convosco as vossas mágoas, angústias e medos. As vossas alegrias, risos e beijos. E ajude a todos a seguir o seu caminho… mesmo que diferentes. Afinal, um dia Taguense, sempre taguense. Se não de Grupo, de espírito…quer dizer que seguiram o vosso caminho.

Mas sim custa, custa saber que amigos que um dia dançam e riem juntos acabam por se separar… que ideias, projectos e amigos comuns se separam e nós não podemos fazer nada por isso. A não ser esperar que todos confiem na Deusa e queiram manter com ela o cordão que os liga como taguenses. E esperar que um dia, no matter what or where, nos possamos todos reencontrar… afinal a Deusa tem entre os “amigos” muitos “inimigos”… 😉

Posted in SL. 4 Comments »

4 Responses to “Para reflectir… e pensar no que está do outro lado de lá e cá da telinha”

  1. Elora Says:

    Porque é cedinho e estou com uma telha monumental:
    Questão 1 – Concordo que pode, mas os verdadeiros amigos respeitam a tua mudança. Os meus respeitaram e, que eu saiba, não perdi ninguém.
    Questão 2 – Não há receitas. Até podes ter a cena toda segura e de repente desabar tudo. No meu caso, vou ouvindo os apelos da RL e tentando controlar os estragos. Resultou até agora, pode falhar já esta noite.
    Questão 3 – Queremos? Podemos querer? É que se é uma questão de querer, eu não quero.
    Questão 4 – É como todos os mundos, tem os valores que nós construirmos. Como no mundo real não os podemos escolher, mas podemos participar na sua construção. Não me incomoda. Incomoda-me mais os valores impostos pelos Linden, como a monogamia e aqueles que deviam impor e não impõe, como o não roubarás. Quero Megagamia e prisões!
    Questão 5 – Cada um sabe como se sente e penso que o que resulta para uns não resulta para os outros. Eu gosto de ver a pessoa atrás do Avatar, embora já tenha perdido a esperança de me surpreender. Lembro-me de, no início, garantir que as pessoas não são os avatares. Podem até haver, mas ainda não conheci nenhuma que não o fosse.
    Questão 6 – Não. Nada mesmo. Onde é que foste buscar essa ideia? Já o tema do casamento…

    E pronto, esperemos que o Universo se dê por satisfeito e me deixe escapar por mais um dia.

  2. djaya Says:

    “Fico surpreendido pela negativa com a filtragem do chat, e a cada vez maior predominância desses temas, in-world, of course. Isto são factores comuns à SL, onde se verificam perseguições alucinantes, e que conduzem muitas pessoas a desistirem da SL, mas fico muito triste por ver e observar amigos e amigas demasiado envolvidos em jogos de emoções, com lamentos apraz eloquentes, roçando por vezes uma falta de dignidade individual gravíssima.”

    Aqui está para mim a explicação à mtos que queriam mais do que eu estou disposta a dar. Falta dizer que o jogo de emoção tem duas faces. Mais não vou atirar mais lenha à fogueira pois o assunto já está mto mais que recalcado🙂

    Bjos Afro

  3. ElectroescadaS Says:

    Ora bem tá na hora de “amandar” a minha peixeirada do costume:

    Ponto 1 – Não necessariamente. Não tenho assim tantos amigos reais que os possa desprezar nesse sentido. Para mim a família está sempre em 1º lugar…;

    Ponto 2 – Sim ao ponto de desistir e anular contas e passadas 2 horas estar a criar novo perfil e voltar a esse mundo;

    Ponto 3 – Depende do que pretenderes;

    Ponto 4 – O Second Life é o fruto virtual duma sociedade real onde se vê bom e mau. As diferenças entre os 2 mundos são mínimas;

    Ponto 5 – Sim. As pessoas tendem a libertar-se na Internet com outras que não se conhecem de lado nenhum;

    Ponto 6 – Sexo e erostismo já existe desde o tempo de Adão e Eva por isso não;

    Tagus – Plenamente de acordo;

    Portem-se…😉

  4. Fokas Says:

    Ora bem..agora é que na alinea 6 o Electro tocou no ponto sensível. “Who goes to bed with what is inimportant. Feelings are important” (John Ashbery) Separar o sentir e o comunicar, em matéria de sexo ou eu qualquer matéria faz algum sentido? Acho que não… e como ele próprio já deu a resposta…resta-me a mim filosofar sobre o prazer e o dever. “O sexo e a escrita não serão dois nomes da mesma acção?” (Gabriela LLansol).
    Como toda a gente tem reparado… que a espécie humana tem vindo ao longo do tempo a afastar-se dos impulsos que regulam as relações entre os animais, corrigindo, por exemplo, a necessária selecção natural através de um sentido de justiça que leva ao refrear dos mais fortes, à protecção dos mais fracos, etc, etc, etc…A ideia de um Contrato social é uma ideia nova na longa caminhada do “”Homem pelo seu ligar ao sol. Claro que me podem sempre dizer que a denúncia de certas situações inaceitáveis é muito mais antiga…Claro que é! Mas retirando o monopólio moral à religião…O homem só começou a ser homem quando arranjou asas para voar…

    Mas vamos ao que interessa..as palavras são o que são…e podem ser sempre mal interpretadas..Mas o sexo e o interdito já eram no século XVIII, na vontade de sedução, o principal prazer dos libertinos, libertadores do amor até aí sujeito a normas rígidas ou ao silêncio… Deixo a quem quiser, o prazer de deliciar-se com a leitura sempre actual do livro “Os Libertadores do Amor” de S. Alexandrian. Está traduzido em português e a feira do livro está por aí…

    A dessacralização do amor ajudou como toda a gente sabe… à vulgarização destes temas…mesmo tendo em conta, nos tempos que correm..a ameaça que a Sida (HIV) veio reintroduzir nos comportamentos humanos. Um risco real e uma gravidade que no meu tempo pareciam definitivamente perdidos. Mas a vida é mesmo assim.. e só vale a pena viver… quando traduz alguma sabedoria(saber pensar) e emoções fortes que escapam à nossa vidinha quotideanos…Apenas para terminar à Fernando Pessoa…com o prazer de não cumprir o meu dever e de irritar mais uma vez o TP!


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