O Resgate – Parte II

 A noite caíra fria e escura, os três fugitivos caminhavam agora pela berma da estrada. No ar ouviam-se os motores dos helicópteros a cruzarem os céus, ora mais próximos ora mais distantes, iam e vinham numa cadência ritmada.

Ao longe avistam as luzes de uma pequena povoação. Aceleram o passo.

O ruído das hélices dos helicópteros pareciam agora mais fortes. Perceberam que atrás deles uma luz percorria a estrada à sua procura.

“Rápido para as árvores.” Gritou Othelo …

O helicóptero passou por eles inspeccionando a estrada e as bermas com um vagar enervante. Parecia esperar que a qualquer momento, do meio daquele arvoredo, saltassem os três fugitivos como javalis acossados pela matilha.

O aparelho afastou-se e os três amigos puderam retomar o caminho, mas agora caminhavam somente pela berma.

A placa indicava que acabavam de entrar na aldeia de Vale Salgueiro. Era uma pequena terriola, não mais que três dezenas de casas. Aquela hora não se via vivalma na rua. Caminhavam encostados às casas evitando assim expor-se demasiado.

Ouviram um ruído de pratos e pessoas a conversar.

“Ali é o café cá do sitio, vou aproveitar e telefonar ao DeCosta.” Disse Pedro.

Mal Pedro cruzou as tiras mata-moscas de plástico da porta do café fez-se um silêncio sepulcral.

Todos os olhos estavam fixados agora naquele homem que acabava de entrar. Pedro não estava andrajoso, mas estava completamente ensopado, o cabelo molhado, a cara suja com resíduos de lama. Era uma visão quase fantasmagórica.

“Ehh migo, de onde foi você desenterrado?” Perguntou um homem gordo que estava sentado ao balcão.

“Preciso fazer um telefonema, posso usar o telefone?” Perguntou com a voz tremula do frio que lhe começava a invadir o corpo.

“Que é que lhe aconteceu?” Volta a indagar o homem gordo.

“Foi um acidente no rio. Por isso preciso de telefonar com urgência.”

“Ahhhhh, por isso andam estes passarocos pelo ar que na deixam descansar a gente. É que é cá uma barulheira que um home nem pode dormir, porra.”

“Tome, ligue, ligue home, que esta gente anda feita doida à sua procura.” Disse-lhe o dono do café estendendo-lhe o telefone na sua direcção.

“Obrigado…”

Pedro discou o numero, do outro lado uma voz quase mecânica atendeu-o.

“Com que é que vamos derrubar a republica?” Perguntou a voz do outro lado da linha.

“Com bananas.” Respondeu Pedro.

O silêncio dentro do café fez com que a resposta de Pedro fosse perfeitamente audível por todos. Ao ouvi-la olharam uns para os outros sem perceberem bem o que se estava a passar.

“Daqui é Pedro, quero falar com o DeCosta, urgente…”

” Pedrooo, meu grandessíssimo incompetente… Agora que estás enrascado já queres ouvir o que o palerma aqui tem para te dizer, não é?”

“Costa… agora não é o tempo nem o local para essas coisas.” Atalhou Pedro com rispidez.

“Necessito de um ponto de extracção com urgência.”

“Ok, Ok, … vejo que estás na aldeia de Vale Salgueiro… Tens de te dirigir a Abrantes. Lá estará alguém à tua espera.”

“Mas, mas… como sabes que estamos aqui???”

“Já não te lembras? O localizador do Othelo pá… Uiiii, e diz esta gente que é espião!!! Tsst, Tsst.”

“Eh pá, já nem me lembrava. Bom vou-me dirigir para o local, mas em que zona concreta estarão à minha espera?”

“Junto à ponte, dentro de 4 horas. Ahhh … Pedro …Boa Sorte.”

Pedro pousou o telefone. Reparou que à sua volta todos continuavam em silêncio.

“Quanto lhe devo?” Perguntou, dirigindo-se ao dono do estabelecimento.

“Ora essa, não me deve nada, afinal é para uma emergência. Mas diga… vêm-no cá buscar é?”

“Boa noite…” Pedro virou costas e dirigiu-se à porta ignorando a pergunta que havia ficado no ar.

Quando abandona o café ouve-se o burburinho dos seus ocupantes a comentarem em surdina o acontecimento.

Pedro caminhou em direcção ao fim da aldeia onde o esperavam os restantes companheiros de fuga.

“Temos quatro horas para chegar-mos a Abrantes.” Disse enquanto passava pelos companheiros sem parar para ouvir as respostas deles.

“Quatro horas??? Mas daqui a Abrantes são quase 20 km!!!” Exclamou Mary.

“Mais uma razão para não ficarem parados aí a conversar e porem pés ao caminho” Disse Pedro afastando-se do grupo, estrada fora.

Chegaram a Abrantes em três horas e meia. Mary vinha carregada nos ombros de Pedro, exausta e sem forças para caminhar.

Chegaram à ponte sobre o Tejo e debruçaram-se a observar o rio lá em baixo, o espelho de água provocado pelo açude que havia sido construído com as luzes da cidade reflectidas no rio.

“Pedro…que diabo descobriste tu nesta tua última viagem que provocou esta reacção toda?” Perguntou Mary.

“Em seu tempo saberás. Tu e toda a gente.”

Amanhecia, a hora marcada para o rendez-vouz esperado chegava. Junto a eles para um carro pequeno. O vidro baixa-se e de dentro uma voz lançou a pergunta.

“Com que é que vamos derrubar a republica?” Perguntou a voz de dentro do carro.

“Com bananas.” Respondeu Pedro.

“Um Smart???? Vamos ser evacuados num Smart???” Disse Mary incrédula.

Othelo e Pedro riam-se como maluquinhos, encostados ao carro.

“Não sei onde está a graça??? Como podem caber 4 pessoas nesta cabeça de mosca? Expliquem-me como? O DeCosta vai-me ouvir, Oh se vai…”

“Não há crise, queres ver… Abres a capota e eu e o Pedro vamos na parte de trás. Tu vais sentadinha no banco da frente como uma fidalga.” Disse Othelo enquanto abria a capota do carro.

Os três amigos acomodam-se dentro do minúsculo carro e este segue em direcção a Constância.

Entretanto junto às margens da albufeira um grupo de soldados encontra o corpo de uma mulher.

Aproximam-se e verificam que ainda respirava. De imediato procedem à sua evacuação para terrenos mais acima, na margem. O oficial do grupo aproxima-se da mulher reconhecendo-a de imediato, era a ministra Afrodite.

(continua)

Posted in SL. 4 Comments »

4 Responses to “O Resgate – Parte II”

  1. pedroferreira Says:

    eheheh, só de ler já estou mais cansado que os ditos 20km, já reparei que não se come nem bebe depois de uma caminhada com um fardo nos ombros, e ainda por cima apanho outra vez a deusa afro que não sei se cabe dentro do smart, lololol

  2. Elora Says:

    A Deusa está viva!!!!!!

  3. Afro Says:

    Ainda nao foi desta. Uma Deusa não morre assim com tanta facilidade. Estavam à espera de quê???

    A vingança será terrível…. ah ah ah ah ah (gargalhadas diabólicas)

  4. Blue(Angel) Says:

    Uma Deusa não morre e muito menos a Afro que é a melhor Deusa (e a única que conheço)


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