Do outro lado da telinha…

E lá se foi mais um fim de semana, predominado desta vez pela segunda vida. Mas fortes e constrangedoras dúvidas emocionais se colocaram, apesar de eu ter primado por uma aparente ausência no convívio, em detrimento da aplicação do espírito construtivo na construção, o meu metier de eleição, vulgo, em relação ao que é habitual. E das muitas conversas diárias com vários amigos na SL, verifico uma forte arbitrariedade sobre este tema.

O meu fds começou com um fantástico mix, levado a cabo pelo Magic, que mais uma vez surpreendeu-me completamente pela positiva, e na presença dos amigos habituais, angariados na SL. Nessa mesma noite ou madrugada, a visita após pedido de tp, e de um contacto surpreendente em im, de alguém muito especial, mas afastados à algum tempo a esta parte, por decisão conjunta, um conhecimento SL que transbordou para a real life, e que me pediu ajuda, dado o forte envolvimento emocional, quais almas gémeas, pois encontrava-se muito triste, dado pertencer a um grupo de amigos selianos, cinco pessoas, dois dos quais gays, com um envolvimento real entre eles, mas entretanto saturaram-se um do outro, tendo terminado a relação, e inclusive abandonado a SL, pois consideraram que foi a SL que degradou completamente a relação deles, pelo conhecimento de novas pessoas, tendo ” destruído ” o grupo, e alimentado uma forte tristeza nos outros elementos depois de anos de relacionamento.

Um sábado esquisito, pois após uma semana violenta em problemas, cerca de 10 horas de sono no total da semana, aproveitei para bater a sorna do século, à custa de um calmante, que redundou numa sorna de 12 horas, mas que teve um efeito nefasto de me tornar num verdadeiro zoombie , ideias pouco claras, que redundou numa vida seliana muito estranha e anormal, e com um forte carisma emocional, pouco típico em mim, ainda para mais agravado pela ausência marcante de alguns dos meus confidentes avatarianos.

E voilá, um Domingo, rico e calmo em criatividade, e que terminou com uma noite de eloquente convívio, na retoma de uma normalidade saudosa, daqueles que desejamos que nunca termine, quer na real, quer na segunda vida. Mas mais uma vez, fui surpreendido ( ou não ) pelas observações de algumas pessoas/avatares. Alguém confidenciou-me após uma ausência de largos dias que na 1ª noite de ausência tinha sonhado com a SL e com avatares, manifestando preocupação pela dependência, uma necessidade de se afastar parcialmente, e o quão bem lhe fez esse afastamento temporário, e que garantidamente o futuro em termos de segunda vida seria mais reservado doravante. Outro avatar questionou-me sobre a necessidade de ganhar dinheiro para fazer umas compras, e a decisão de fazer strip, ou eventualmente ir mais longe, se bem que nas abordagens que fez foi sempre solicitado voice, apesar de esse facto não parecer preocupante.

Sou um avatar muito real, para quem não me conhece, muito decidido e objectivo, um touro autêntico, de força e de coragem, mas muito emocional e romântico. Mas este fds levantou em mim sérias dúvidas, e alguma instabilidade emocional, que preocuparam-me, pois eu não sou assim, ou melhor, luto por não o ser.

Valerá a pensa existir ou viver na SL, unicamente como amigo virtual? O meu maior prazer e saudosismo, têm sido as pessoas além do avatar, conhecidas na real, fantásticas em geral, ou seja a vida além da tela.

São degradantes os valores humanos generalizados que encontramos na SL, pelo menos comigo. Acontece o mesmo convosco? Torna-se assustador a determinada altura, apesar de ter uma forte consciência social sobre a degradação efectiva desses mesmos valores na realidade.

Será que o tema sexo e erotismo generalizou-se à Tagus? Fico surpreendido pela negativa com a filtragem do chat, e a cada vez maior predominância desses temas, in-world, of course. Isto são factores comuns à SL, onde se verificam perseguições alucinantes, e que conduzem muitas pessoas a desistirem da SL, mas fico muito triste por ver e observar amigos e amigas demasiado envolvidos em jogos de emoções, com lamentos apraz eloquentes, roçando por vezes uma falta de dignidade individual gravissima. Incomoda-me, também, e muito, ver a fragilidade de certas pessoas perante certos convites e envolvimentos, isso é real, tem a ver com a formação, os valores e a força das pessoas individualmente, mas tal como na vida real, e os mentores na SL, não deveríamos ter uma acção mais preponderante sobre esses indivíduos, não no sentido de os hostilizar, mas sim de os acompanhar e apoiar? Acima de tudo a Tagus não é uma comunidade de amigos? E como bom observador que sou, vejo e leio situações gritantes de violação de valores, sem qualquer resposta. Acho que este é um desafio sério à comunidade, para que a Tagus seja efectivamente algo diferente além de meras palavras e projectos.

Eu adoro a SL, a Tagus e Portucallis. Mas acima de tudo, o que prezo, luto e valorizo, são os amigos além ” telinha “, aqueles que encontrei a partir da SL, a força de grupo, pois nós individualmente somos egoístas e muito destrutivos, somos seres humanos, verdade?, mas em grupo podemos ter uma mais valia pedagógica imensurável. Eu, descobri este fds que estou cansado da SL, as festas e os eventos são muito interessantes, para conhecer e cimentar relações, mas não passam disso, falta algo, falta um projecto comum, que até poderá existir, mas cuja alma se perde em maior parte dos Taguenses, se alguma vez a descobriram, e encarem este post como o grito de Ipiranga de um zé ninguém, Taguenses façam e criem algo efectivamente diferente, efectivamente salutar, na continuação do que já fizeram até agora, protejam a comunidade e os seus elementos, envolvam os Taguenses no projecto, cada um com as suas limitações, mas não deixem que a Tagus seja mais um lugarzinho SL.

( Padre Pedro Ewing, falado e concluído )

12 Responses to “Do outro lado da telinha…”

  1. Summer Wardhani Says:

    A meu ver, Piedro, há caminhos individuais e caminhos que percorremos com o grupo, ou grupos que vamos integrando. E esse caminho do grupo sabes, às vezes toma rumos inesperados, resultado de algo estranho que é a vontade colectiva, nem sempre consciente e muitas vezes diferente da vontade individual de cada um dos elementos que a compõem.

    A meu ver, Piedro, cabe a cada um de nós decidir em cada momento qual o caminho que quer percorrer. Não tens que estar em grupo o tempo todo, a experiência é enriquecedora sem duvida mas limitativa com o passar do tempo. A segunda vida é, será sempre, o que dela quiseres fazer. Se queres passar o tempo em festas e a flirtar, pois que estarás (tu e outros quaisquer, lol) no teu direito. Se não queres… ó gajo, descalça os sapatos, coloca lá as asas nas costas, deixa-te de lamentações… e VOA !!❤

  2. A pensar « Summer Wardhani Says:

    […] Este post do Piedro Ewing é daqueles que eu gosto de ler. Porque me deixam a pensar. Apesar de escrito ao correr dos dedos e […]

  3. Afrodite Says:

    Tentei comentar este post do Piedro, seguido do da Summer, mas não estou a conseguir. Sei de antemão que será um testamento… mais vale fazer um post próprio. Com algumas respostas, alguns comentários, algumas preocupações, quem sabe algumas soluções?

    Por isso aqui apenas vou começar por transcrever aquilo que se encontra na nossa Segunda página do Blog (que sim… está em inglês..mas deveria ser lida por todos ;)… E dentro em pouco digo mais qualquer coisa. Quem sabe isto já traga algumas luzes… ou mais questões.

    “És um amigo Tagus? O que é o Espírito do Tagus?

    Deixem aqui as vossas definições sobre o que é ser um amigo Tagus (que alguns apelidam “taguenses”).

    Afro: É o espiríto da liberdade e amizade no SL. Um grupo de amigos RL e SL de todo o mundo, que gostam de se encontrar, conversar, festejar e dançar juntos. Sem restrições de linguas, credos… Uma rede de amigos, e um óptimo sítio e maneira de conhecer novas pessoas….e “reencontrar “ velhos amigos.

    O Tagus começou por ser um grupo baseado na ideia dum Club de amigos. No entanto depressa se descobriu que teria de ser mais do que um clube. Se não fosse pelo amor que possuo aos espaços em si, fecharia os clubes e mantinha o grupo. Porque muitos amigos tornaram-se melhores amigos nesses locais, e adoro poder organizar para todos noites de grande divertimento na SL.

    Podes usar todos os Clubes Tagus para fazer as tuas festas, podes convidar amigos para ir ao teu encontro algures neste mundo, anunciar o teu projecto ou evento (pergunta aos managers o que é preciso para tal…) Queremos ter uma grande rede de amigos. Por isso convida os teus amigos para se juntarem a nós…. E diz-me o que sugestes para o seu Espírito…”

  4. Summer Wardhani Says:

    Fico a aguardar com expectativa o post do tamanho de um testamento, hehehe – e sim, é sempre hiper interessante ver as ceninhas que iniciámos tomarem rumos proprios, eu acho🙂 Tens todos os motivos e mais alguns para estar super orgulhosa do que cosneguiste fazer, gaja deusa, não é para qualquer um !!😀

  5. Fokas Says:

    Caro Pietro,

    Acabei de ler e reler o teu “ Do outro lado da telinha” e os comentários da Summer. Sem te conhecer, mas como amigo da “casa”, permito-me tecer alguns comentários àquilo que te apeteceu gritar e desabafar no teu post.
    Normalmente não estou muito inspirado às segundas-feiras mas uma valente constipação na RL apanhada não sei onde e o estado lastimoso em que me encontro, levou-me a alterar totalmente o meu programa. Naquele estado de Zombie, como tu descresveste muito bem…estive enrolado numa manta a manhã…a ler e a chorar como se pode nestas circunstancias miseráveis, mas depois do almoço acordei para a vida, agora com o sabor do Cegripe e os efeitos dos pingos… e a cabeça menos pesada para escrever.
    Vamos assim por partes para ver se nos conseguimos entender o que nem sempre é fácil.
    Começas por falar de uma forte arbitrariedade por um tema (que não fica muito claro nas tuas palavras iniciais) Penso que se tratam de envolvimentos pessoais de alguns amigos e dos desencontros que a SL tem provocado nas suas vidas. Ora esse tema das dependências ( acho que é disso que tu falas), tão vasto e complexo não pode ser tratado assim de ânimo leve…é como acordar num dia de chuva, abrir a janela e deparando com a vizinha de roupão a colar a roupa no estendal dar-lhe os “Bom dia , vizinha Angústia…ou Good Morning Vietnam!”. Ela simplesmente não vai entender que lhe estás a falar na fragilidade dos laços humanos nas comunidades virtuais. Se bem que entenda alguma confusão que te anda pela cabeça ( Não és o único… se isso te satisfaz alguma coisa).
    O mundo em que vivemos é, talvez, um mundo de aparências. Mas o nosso mundo da separação, da dispersão, da finitude é também o da atracção, do encontro e da exaltação.
    De amores e de desamores. Não é possível evitar o sofrimento sem sentir o seu contrário. Ou seja uma coisa não é concebível sem a outra. Sem sentir não há emoção.
    A vida é mesmo como ela é e não adianta discutir as imperfeições do género humano.
    A questão se vale a pena viver na RL ou na SL, como amigo virtual, escravo ou amante não faz sentido. O sentido da vida, seja ela onde for é …simplesmente a própria vida.
    Eu sei que isso não é muito fácil de aceitar e muito menos de arrumar nas nossas cabeças. Compreendo que andes triste e baralhado ( Quem não anda?) e que não te conformes com as escolhas que te são dadas. Mas para fugir à alternativa entre o Cepticismo e o Dogmatismo em busca de novos valores (e como tu afirmas… és um gajo para isso e muito mais), a primeira coisa a fazer é começar a pensar bem! Bem na lógica do ser humano, sem ilusões nem determinismos. A História como a vida não tem moral! O Futuro só pode ser inventado com uma justificação das escolhas bem claras,( e aqui vai-te saltar a tampa…mas eu arrisco)…com um CONCENSO indispensável, num agir “comunicacional”, no debate entre a procura da “verdade” que já todos sabemos que não é absoluta e os desejos da comunidade em que nos inserimos.
    A alternativa não é fácil eu sei…mas é o único caminho aceitável para o grande trabalho da emancipação do indivíduo que pode ser o nosso…todos os dias…nos locais onde existimos, na Vida! Se a fé já não existe, resta-nos a sabedoria, e só um novo humanismo adequado à modernidade dos nossos dias, reconstruindo a imagem do outro à figura de seres humanos, de lutar contra a estreiteza dos nossos discursos e dos nossos sentimentos morais, entregando-nos ao sentido da solidariedade vivida .Em suma, recusar as duas concepções alienantes do universo. A determinista que recusa ao homem a escolha e a liberdade e a céptica, segundo a qual o mundo nos é irremediávelmente estranho.
    O testamento do Fokas já vai longe… porque reparei que já saltei uma pagina de A4. Vou-me portanto calar com um último comentário às tuas observações, demasiado puritanas… a meu entender, sobre o que tu chamas “o sexo e o erotismo” na SL. Allegro ma non troppo, o que queres tu dizer com tantos adjectivos cheios de outras tantas valorações morais, que parecem saídas de um inquisidor geral? Será que vamos todos pró Inferno? Vá…Piedro, santos e pecadores é o nome de um grupo de rock português!

    Aquele abraço. A vida é a arte do encontro!

  6. Fokas Says:

    Desculpa…Consenso e outras palavras mesmo com gripe…escreve-se com um S!

  7. Piedro Ewing Says:

    Amigos,
    Hoje acordei um homem renovado e feliz com a vida, sou assim mesmo, apesar de a esta hora estar completamente arrasado por uma série interminável de acontecimentos do dia, que derrubam qualquer um. Amanhã será um novo dia, e mais uma vez energias renovadas. É neste aspecto que reside a minha grande força, e quem me conhece o confirmará.
    Agradeço as Vossas palavras, todas sábias e enquadradas, mas o meu post não manifesta uma tristeza no momento em que o fiz, tão somente a preocupação de relatar um profundo desagrado que senti, e uma preocupação residual pelos outros que o possam sentir, e não tenham essa capacidade de recuperação que eu tenho, tal como refere a Summer no seu Blog.
    Gracias Summer, Fokas e Afro,🙂

  8. Piedro Ewing Says:

    E, Fokas:

    . Adoro Santos e Pecadores, gosto de um pecadito pontual, sempre lutei por aquilo que gosto e quero, e acredita que uma das grandes lacunas da minha personalidade, é precisamente essa faceta excessivamente puritana, mas nunca inquiridora, bem pelo contrário, extremamente permissiva no que me rodeia.
    . Não me saltou a tampa, pois concordo contigo, apesar de achar que não é necessário um consenso indispensável em algumas situações, e a história da humanidade demonstra-o na liberdade de ideias.
    . A minha cabeça é muito pouco confusa, mas tem alguns momentos terríveis, somente isso. Aliás, eu só me baralho quando quero expressar os meus sentimentos, aí sim, gosto muito pouco de falar do que eu sinto, e atrapalho-me muito, cada um com as suas, verdade?

  9. Fokas Says:

    Bravo Pietro!
    Crescer é mesmo assim! Umas vezes custa mais…outras apanhamos mais facilmente a onda que vem do mar!
    Fica bem…e não te chateias com as miúdas…que são umas descaradas na RL quanto mais na SL!
    Mas a gente não passa sem elas…temos que descontrair…
    Aquele abraço!

  10. ElectroescadaS Says:

    Nem tenho palavras…

  11. ElectroescadaS Says:

    Eu já me ofereci para trocar as lâmpadas dos candeeiros de Portucalis Pedro😉

  12. 07Para reflectir… e pensar no que está do outro lado de lá e cá da telinha « Tagus Friends Weblog Says:

    […] comentar este post do Piedro, seguido do da Summer, mas não consegui. Sabia de antemão que será um testamento… porque dão […]


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