Episódio 12 – Crash

 A aeronave caía num movimento circular, rodando sobre o eixo do rotor principal.

Pedro apenas conseguia manter, a custo, o helicóptero em auto rotação, era a única hipótese que tinha de evitar um despenhamento violento no solo. Ainda assim, a velocidade de descida era grande e de certeza que a colisão com o solo is provocar estragos.

Dentro da aeronave os ocupantes lutavam por se manterem nos seus lugares. Á excepção de Mary, todos permaneciam sentados nos bancos presos pelos cintos de segurança.

Mary havia sido projectada para cima de Afrodite e ambas pareciam abraçar-se num movimento que ambas não conseguiam controlar, tal era a força centrifuga provocada pela rotação da aeronave.

Pedro olha para o altímetro acompanhando o rodopiar vertiginoso do ponteiro e dos números a caminho do zero.

A luz avisadora de proximidade do solo acendeu-se e com ela um aviso sonoro fez-se sentir no cockpit. Pedro volta a cabeça para trás, mantendo ambas as mãos firmes na manche e alerta os passageiros da eminência da colisão.

“Preparem-se… Vai ser forte…”

Pedro olha para fora tentando vislumbrar o local da colisão com o solo. Conseguira controlar o velocidade de descida mas nada podia fazer em relação à trajectória do aparelho. Repara que lá em baixo se estende um manto azul bordejado por arvores, era um rio, iam cair na água, o pesadelo ia continuar.

“Vamos cair na água, tentem colocar os coletes que estão de baixo dos assentos.” Gritou Pedro para o interior da aeronave.

Os ocupantes tentaram a custo fazer o que Pedro lhes pedia, mas era tarde demais…

SPLASHHHHHHHHHHHHHHH.

O choque foi tremendo. Parecia que o helicóptero tinha batido contra uma parede de betão, só que esta “parede” após o impacto começa a tomar conta do interior do aparelho. Das janelas, cujos vidros haviam sido estilhaçados com o impacto, começa a jorrar água em quantidades cada vez maiores. Pedro consegue-se libertar do cinto e dirige-se para a parte de trás da cabine tentando salvar alguém. Reparou que Mary já não estava dentro do helicóptero, teria escapado, teria sido projectada pelo impacto, não sabia, nem tinha muito tempo para se preocupar com isso. Repara em Afrodite, inanimada, sentada no banco ainda com o cinto posto. Pedro apanha um colete que se encontrava a boiar junto dela. Coloca o colete nela e acciona o sistema automático de insuflação do colete. Soltando-a do banco, encaminha-a para fora do aparelho através de uma janela partida e observa por instantes enquanto a vê afastar-se boiando de cabeça para cima.

Volta-se para o interior da cabine e vê Othelo caminhando em direcção a ele devagar.

“Anda dai pá… Esta cena vai ao fundo não tarda nada.” Disse Pedro tentando chegar ao companheiro.

“Acho que não vamos escapar desta amigo.”

“Que dizes… Anda daí, apressa-te, tanta cerimónia pá.”

Othelo aproxima-se de Pedro, mas não vem só.

“Teresa???? ”

Teresa tinha a arma na cabeça de Othelo agarrando-o por um braço enquanto que o outro estava algemado a Othelo.

“Daqui não sai ninguém. Vamos todos para o fundo.”

“Estás doida. Larga essa arma e sai daqui, ainda nos podemos salvar todos.”

Crack, crack…

Ouviram-se dois tiros, Teresa deixa cair a arma caindo de seguida de bruços na água arrastando com ela Othelo.

Othelo lutava agora por se manter à superfície, arrastado para o fundo pelo peso do corpo inanimado de Teresa. Pedro tenta a todo o custo soltar o amigo, mas não tinha a chave das algemas nem qualquer ferramenta da qual se pudesse socorrer.

“Afasta-te…” Gritou uma voz por trás de Pedro.

“Mary!!! Bons olhos te vejam.” Gritou Pedro com satisfação.

“Não fiques todo entusiasmado, para mim ainda és um traidor ouviste?”

“Bamlughgghghg, despachem-se eu não tenho muito temgfhhghggg.” Othelo tentava lutar contra a força que o arrastava para baixo, mas já tinha a água pela boca.

“Afasta-te…” gritou novamente Mary.

Mary pega no braço inanimado de Teresa esticando a corrente das algemas, com um disparo certeiro quebra a corrente soltando Othelo da morte certa.

Os três apressam-se para sair do interior daquele sarcófago metálico em que se tinha transformado o helicóptero.

Afastam-se nadando em direcção a uma pequena ilha no meio do rio. Pedro olha para trás e fica a observar a descida do helicóptero para o fundo das águas escuras do rio. Com ele ia Teresa, Lourenço e outros ocupantes que certamente pertenceriam à brigada do agente Lourenço. Ficou por instantes a pensar como tinha sido enganado todos estes anos. Passara todo este tempo a dormir com o inimigo, partilhando sentimentos, confidências, carinho, tudo isso com uma mulher que ainda há momentos se preparava para o obrigar a morrer afogado com uma frieza nos olhos, como se uma estranha se trata-se.

De repente, lembra-se de Afrodite. Perscruta as águas em busca do colete amarelo que lhe havia posto antes de a soltar nas águas frias do rio. Encontrou-a a flutuar a poucos metros de si. Nadou até ela. Agarrou-a pelas costas mantendo sempre a cabeça dela fora de água e nadou para a ilha onde já se encontravam Mary e Othelo estendidos na areia da pequena praia.

(continua)

Posted in SL. 3 Comments »

3 Responses to “Episódio 12 – Crash”

  1. Elora Says:

    Diz a verdade, vamos morrer todos,não vamos?

  2. pedroferreira Says:

    Ehehheeheheheh, ufa! finalmente os meus dotes compensaram, quero uma medalha de heroi.

  3. Fokas Says:

    Grande cena…vcs são mestres do tempo!


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