Episodio, 11 – A fuga – Parte 4

 Pedro sentiu o telemóvel a vibrar no bolso do uniforme.

Ponderou por instantes se pegava ou não no aparelho para ver quem queria falar com ele.

Olhou para Mary ao seu lado. Mary parecia petrificada, os olhos esbugalhados fixos num ponto qualquer na linha do horizonte.

Pedro deu-lhe um toque com o cotovelo.

“Aposto que nem consegues fechar a viseira do capacete?” Disse Pedro.

“Ahhh… que estás para aí a dizer? Fechar a viseira? Claro que consigo.”

“Nahhh… vai-te bater nas orbitas, eh eh. Com esses olhos esbugalhados não a consegues baixar.”

“Cala-te… ainda arranjas tempo para gracinhas. Não sei onde estava com a cabeça quando aceitei este teu plano maluco? Tínhamos executado o plano do DeCosta e já estava tudo resolvido.”

“Olha, tens razão…”

“Tenho? Tu és mesmo um sacaninha… então porq…”

“Está calada. Estava tudo resolvido porque nós os dois já estávamos mortos, percebes? Como podes achar que conseguíamos os dois fazer frente a esta gente toda? Ainda por cima junto a uma base militar do inimigo. Era morte pela certa. Eu depois falo com o DeCosta. Fez um plano DeBosta, eheheheh…”

“Não sei se vamos acabar vivos depois disto também?”

“Olha… preciso que assumas os comandos por uns instantes.”

“Assum… Tas tolo?” Mary quase saltou do assento.

“Shiuuuu, fala baixo… Tenho para aqui o telelé a tocar. Olha, já parou. Pronto deixa lá já não preciso.”

“Deves andar a tomar daquilo que faz rir! Eu sei lá pilotar esta cena.”

“Já introduziu as coordenadas tenente…Carvalhosa?” Perguntou Afrodite tentando ler ao mesmo tempo o nome que estava escrito no uniforme.

“Vou tratar disso mesmo agora, só estava à espera de adquirir velocidade e altitude de cruzeiro, senhora ministra, excelência…”

“Diga-me uma coisa? Há alguma dificuldade de ligação de telemóvel a partir deste aparelho? É que tentei fazer uma chamada ainda agora e não consegui.”

“Uhh… dificuldade?? Não, nenhuma, pelo contrário, temos aqui melhor sinal que em terra. Mas se quiser eu posso fazer a chamada via rádio e depois transferi-la para o seu auricular do capacete.”

“Pode fazer isso? Ficava-lhe agradecida.”

“Posso, não há problema. Dê cá o número que ali o meu colega… uhhh, Baldaia faz o serviço.”

“Insira primeiro as coordenadas. Eu já lhe dou outro papel com o número.”

Pedro pegou no papelito que a ministra lhe tinha dado e desdobrou-o. Nele estavam escritas as coordenadas de um ponto e nada mais. Nenhuma referência a um local.

Inseriu as coordenadas no teclado do GPS.

39º 16′ 35.35” N

7º 48′ 27.18” O

O GPS recalculou a rota e apresentou-a no computador de bordo. Indicava o rumo Sul e a distância a que estavam desse local. Pelos valores apresentados parecia tratar-se de um local algures a Sul do Tejo.

O helicóptero girou suavemente para se colocar na rota agora introduzida. Pedro inclinou ligeiramente a manche para a frente, aumentou o ângulo de ataque das pás através dos pedais e sentiu a máquina a inclinar-se ligeiramente para a frente e para baixo e adquirir velocidade.

“Aqui tem o numero.” Disse Afrodite enquanto estendia a mão com um pequeno papel.

Pedro pegou no papel e leu os números.

O número parecia-lhe familiar. Leu e releu os números uma e outra vez, até que de repente se deu conta que aquele número de telefone era o seu.

Ficou estarrecido, o rosto pálido como a cal. Entregou o papel a Mary.

“Olha esse número. Não te parece familiar?”

“Uhhh…deixa ver. Sim, é o teu número de telemóvel. Mas…, como é que a ministra tem o teu numero de telemóvel? Tu não me digas que…Traidor…”

“Shiuuuu… está calada, não digas disparates. Não sou nenhum traidor.”

“Como não!!! Agora percebo bem o teu plano para tomares conta do helicóptero. Tudo não passou de uma artimanha bem montada para me capturarem e assim deceparem a organização. Eu nem acredito…”

“Shiuuu… para com isso, estás tola ou…” Pedro nem teve tempo de acabar de falar. Mary levantou-se do assento, dirigiu-se para a ministra e sacou da pistola encostando-a à cabeça da governante.

“Pousem já esta merda senão vão comer miolos de ministra ao almoço.” Gritou Mery com uma expressão quase demoníaca na face.

“Estás doida??? Para lá com isso, que estás tu para aí a fazer? Agora é que vamos morrer todos.”

O interior do helicóptero foi invadido por um sentimento misto de terror e de espanto. Afinal que se estava ali a passar, perguntavam uns para os outros com o olhar.

“Pousa isto, traidor… como é que eu pude ser tão facilmente enganada. Meus amigos…eu tomo posse deste aparelho em nome do governo da Madeira. Aqui a ministra beldade vai ser minha convidada durante os próximos tempos. Qualquer movimento em falso e vamos todos para o céu dos pardais, ok?”

Lourenço sente um sabor amargo percorrer-lhe o tubo digestivo até à boca, como podia ter acontecido aquilo, mesmo nas suas barbas, tinha de agir. Lentamente tira a sua arma de dentro do casaco e engatilha a arma de modo quase imperceptível. Sem levantar o braço aponta a pistola a Mary. Othelo apercebendo-se do que Lourenço estava a preparar, no momento exacto em que Lourenço se preparava para desferir um golpe, quase de certeza fatal, em Mary, deu-lhe um encontrão fazendo com que o disparo falha-se a sua amiga.

Mary reagindo ao disparo de Lourenço, dispara sobre ele.

Lourenço sente um choque no peito e um calor, como se lhe tivessem encostado um ferro em brasa. Mas rapidamente o calor dá lugar a uma sensação de frio. Começa a perder forças. A vista turvasse-lhe e cai para cima de Othelo. Mary tinha acertado em cheio no coração de Lourenço matando-o.

Ainda todos se recompunham do choque quando o helicóptero abana com violência tal que projecta Mary contra Afrodite. O som dos avisos do sistema de navegação aumentava. O cockpit parecia uma arvore de Natal com luzes a piscar por todo o lado.

“Vês o que fizes-te…” Gritou Pedro, agarrando-se desesperadamente aos comandos da aeronave que agora mais parecia um touro mecânico.

O tiro de Lourenço que tinha falhado Mary tinha-se alojado no computador de bordo do helicóptero, fazendo com que este perdesse toda a capacidade de continuar no ar. Havia que pousar o quanto antes.

(continua)

Posted in SL. 6 Comments »

6 Responses to “Episodio, 11 – A fuga – Parte 4”

  1. pedroferreira Says:

    Grrrrrrrrrrrr!!! Mary!!!!!!!!!!!! prontos tinhas que fazer asneira, agora é que vamos cair e acaba a novela, logo agora que eu ia ter o meu momento heroico.

    Pedro

  2. Elora Says:

    TPPPPPPPP!!!!!!!!

  3. afterlab Says:

    heheheh gostei da historia ingraçada, parece um joguinho de computador, do gato e o rato hehe

  4. Blue(Angel) Says:

    O Tp morreu??????????????????????? nããããããããããããããããããããããõooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo

  5. Afro Says:

    O Tp??? Então mas não era o Lourenço???? :S

  6. Mary Says:

    /me roi as unhas…
    Oh Pedro, nao sei se precisas mas eu posso sempre tentar dar uma (des)ajuda lololol

    Parabens Othelo😉

    Mary


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