Olhares no alhures 3

Ontem, debaixo da macieira em Portucalis, encontrei  mais uma vez o  meu amigo Casimiro. Falei-lhe  de um comentário que tinha recebido de um conhecido da SL , no qual me dava  por perdido…. “ O Fokas está perdido…estás desgraçada Elora!”.

– Ora não é bem assim que as conversas sérias começam. Não são uma espécie de jogo que tu jogas comigo… – disse eu ao Casimiro. 

– Sim, tens razão! Escolhe então  bem o que queres dizer… O que é que entendes por “sérias” e “jogo”? Se tu estás a jogar ou a falar a sério não sei. – respondeu-me o Casimiro.

Lembrei-me da conversa  que tinha tido com a Summer acerca das unhas…Mas não queria obviamente contar ao Casimiro detalhes íntimos de ninguém, muito menos, de uma minha conhecida na SL…. Sim! Era uma espécie de  pequena batota que eu estava a fazer com o Casimiro…

– Opá, não vais entender…

– Acho que não, Fokas…estás implicitamente a confessar que as conversas que tens aqui debaixo da macieira fazem sentido. Mas não me venhas  falar de conversas sérias!

O Casimiro que era duro dum ouvido tinha as orelhas equipadas com radar. Ainda tentei argumentar que as ideias nunca são claras e que a confusão por vezes traz alguma luz… Mas não foi o suficiente para  o convencer. Olhou-me  nos olhos  e disse-me:

  Fokas, estás a papaguear os velhos “clichés” que toda a gente repete há centenas de anos… A maneira como confundes tudo já é um modo de fazeres batota. Só gostava que admitisses isso.

Comecei a ficar nervoso.

– Tu sentiste-te ofendido porque pensaste que ele estava a jogar um jogo contigo, enquanto tu estavas a falar a  sério! Sim. É um golpe baixo e provavelmente desonesto. Mas aceita-o pelo que vale…Se o teu conhecido disse que estavas “perdido” foi ele que estabeleceu as regras –  logo é ele que as muda  – sem te dar conhecimento. E a finalidade desta conversa, Fokas…é como a própria vida – um jogo, cujo objectivo é descobrir as regras que estão sempre a mudar e que não conseguimos descobrir.

Fiquei mudo e quedo. O Casimiro tinha tudo menos burro…e tive mesmo que parar.

– Obrigada! Já entendi o que me querias dizer. Beijinhos à Blimunda e boa noite para ti! 

 – Boa noite Fokas! Fica bem…olha …sabes porque é que os gatos brincam? Pensa bem, pá!

O Casimiro foi-se e eu fiquei sozinho debaixo da macieira a pensar…Não sei, não sei mesmo…

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2 Responses to “Olhares no alhures 3”

  1. playingmargarita Says:

    Acabei de te encontrar a beber cerveja e a comer percebes na Nazaré. Agora vais ter que me explicar tudo o que se passou a noite passada.

  2. Fokas Says:

    Margarita,
    Olhares no alhures é uma crónica antropológica do metaverso “tagus-portucaliense” das conhecidas “Tertúlias da Macieira” e não tem rigorosamente nada a ver com percebes.


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