Episódio 6 – O volte-face

Porto, 23:45 – Cemitério de Agramonte

 

Pedro e Mary chegaram ao local combinado no carro de Pedro. Estacionaram num ao lado da entrada do cemitério e aguardaram dentro do carro.

DeCosta tinha organizado tudo durante a tarde e principio de noite. Tinha disposto uma equipa de apoio composta por dois elementos, Fidalgo e Margarida. Embora ambos tivessem pouca experiência no terreno serviriam de equipa de apoio, caso as coisas não corressem conforme tinha planeado. Ambos aguardavam o desenrolar dos acontecimentos a uma distância segura dentro de uma carrinha fechada equipada com o que de mais moderno existia em equipamento de espionagem.

“Está tudo a correr conforme planeado.” – Disse DeCosta através do auricular de Pedro e Mary.

“Eu não sei, pá. Não gosto deste sitio. Dá-me arrepios”

O telemóvel de Pedro toca. Era Teresa.

“Bolas a Teresa, logo agora.”

“Diz minha querida. Que se passa?”

“ Que se passa… Não te vejo há quase 24 horas e ainda me perguntas que se passa. É preciso ter lata.”

“Tens muitas explicações a dar meu lindo. Mas também não te liguei para isso, tens aqui uns senhores que te vieram procurar, como é que o senhor disse que se chamava…”

Do outro lado, Pedro ouviu o nome do homem que o procurava e a sua expressão passou da indiferença ao terror.

“Lourenço… Disseste Lourenço? Corre-os de casa e chama a policia.”

Tentou sussurrar Pedro, mas sem sucesso, Lourenço já se tinha apoderado telefone.

“Ora viva meu caro Pedro. Como tem passado o senhor? Sabes, sempre quis saber como vivia um humilde vendedor de jantes. Sim senhor… Uma moradia de dois pisos no centro do porto… Uma mulher jeitosa… hummm, hummm”

“Deixa-a em paz” Sussurrou Pedro aterrorizado. Ao seu lado Mary, que não se tinha apercebido ainda da conversa interpelou-o.

“Pedro, larga isso, namoras depois. Parou uma carrinha ao nosso lado, devem ser eles.”

“Ora vês, a tua amiga tem razão. Devias prestar mais atenção ao trabalho” Disse Lourenço do outro lado do telefone. E continuou.

“A carrinha que parou ao vosso lado é para vos transportar. Como já deves ter-te apercebido, eu não vim a tua casa para ver o imóvel, nem a tua mulherzita irritante. Digamos que vim aqui buscar uma garantia de que tu te vais portar bem.”

“Canalha… Quando eu te apanhar nem vais ter tempo de falar, e quando voltares a tocar o chão já estarás morto. Cobarde…” – Disse Pedro quase a espumar de raiva.

“Mary, temos de entrar naquela carrinha. Ela vai-nos levar ao Othelo.”

“Eh pá, espera lá… Com quem estavas tu ao telefone então?”

“Era o Lourenço… Ele raptou a Teresa como segurança colateral.”

“Porra pá, esta cena vai de mal a pior”

“Que queres que faça? Queres que arrisque a vida da Teresa?”

“Tu fazes bem a ideia do que nos pode acontecer se cairmos nas mãos do Lourenço, não sabes? Lamento, mas não temos alternativa… Temos de optar pelo bem maior, a nossa querida Madeira.”

Pedro baixou a cabeça até tocar com ela no tablier do automóvel. Não consegui conter as lágrimas, afinal, podia já não gostar dela, mas era a sua esposa, tinham passado bons momentos juntos.

O casamento de ambos tinha-se deteriorado com o tempo. A ausência de filhos, muito por culpa dele, que não queria, pensando precisamente que, com a vida que levava era um risco demasiado alto.

Teresa nunca tinha compreendido, como podia ela compreender… Para ela, ele era um simples vendedor de jantes.

Agora cabia a ele decidir sobre o destino dela, como se fosse um juiz e carrasco e ela estivesse no corredor da morte à espera da execução.

Mas a decisão estava tomada… Recompôs-se como pôde. Tirou a arma do coldre por debaixo do braço e engatilhou-a.

Mary seguiu-o nesse ritual.

 

Abriram as portas do carro quase em simultâneo e dirigiram-se para a carrinha.

Já não havia volta atrás. De um lado Othelo e o futuro da organização que, a todo custo havia que resgatar. Do outro Teresa, que seria sacrificada para poderem conseguir esse fim.

 

(continua)

Posted in SL. 1 Comment »

One Response to “Episódio 6 – O volte-face”

  1. Blue(Angel) Says:

    Isto está cada vez mais empolgante. Coitada da Teresa, pobre moça!!! O próximo epísódio é amanhã à mesma hora?


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