Episódio 5 – Em busca de Othelo – Parte II

A primeira sensação que o assalta é de um frio imenso. Quase não sente as extremidades dos dedos e das orelhas. Parecia que estava dentro de um frigorifico.Depois, uma dor de cabeça lancinante, parecia que lhe tinham espetado uma agulha no cérebro.

Com custo começa a abrir os olhos.

“Poooorrrrrraaaa… Mas que é isto?”

Tentou levantar-se para se aperceber que par de olhos eram aqueles que o fitavam, mas não conseguiu, tinhas as mãos e os pés atados.Rolou para o lado para se afastar daqueles olhos sinistros, mas eles pareciam persegui-lo. Eram uns olhos sem brilho e parados. Olhou melhor e apercebeu-se do que era.

“Ufa… São só um carapaus. Carapaus…??? Que diabo faço aqui, com um cardume de carapaus congelados como parceiros?”

Ouve passos. De repente a porta da arca frigorifica abre-se deixando entrar uma luz forte do exterior.De seguida, uma voz que vinha da luz, como se de uma entidade divina se tratasse, ecoa.

“Então o nosso prisioneiro, dormiu bem?”

A voz era de um homem. Tinha um sotaque característico, o acentuar dos rr’s deixava adivinhar que se tratava de alguém oriundo da península de Setúbal, ou então germânico.Tentou fixar a cara do interlocutor mas a intensidade da luz impedia-o de o fazer.

 Vamos ver se os seus amiguinhos cumprem com o combinado, senão vais fazer uma visita às tainhas.”

“ Acho melhor não, olhe que já me afeiçoei a este carapau e ele é muito ciumento.”

“Olha , olha… Temos um engraçadinho… Não te vais rir depois de falares com o meu colega alemão…”

“Paffff…”

Vinda aparentemente do nada uma mão aplicou uma bofetada no interlocutor de Othelo.

 “Já te disse para terres tento na língua, Schwein …”

A voz que agora ele ouvia era de outra pessoa. Era uma voz fina, quase feminina, com sotaque germânico indiscutível.

“Eh pá, voltas a tocar-me, nem sei que te faço…”

“Schiuuu, tá calado e trrás o menino parra a saleta, schnell. Mas antes dá-lhe um banho de perrfume, que o cheiro não se aguenta. Ainda gostava de saberr de quem foi a ideia brrilhante de o trazerrem parra aqui?”

“Que querias, em Matosinhos não havia outro local com…”

“Pafffff…”

Scheiße. Essa tua língua ainda vai serr a tua morrte.”

“Mau, mau Maria. Querem ver…”

“As meninas se quiserem podem resolver isso no quarto, não?”

“Tu cá parra mim tens a mania que és engrraçado. Vamos verr como te rris depois de levarr com o meu wurst na crremalheira, heheheheh…”

Othelo foi literalmente arrastado pelo chão até um compartimento onde lhe despejaram em cima uma água perfumada cujo cheiro em pouco ou nada melhorava o que já estava entranhado nas roupas e corpo, devido à estadia na câmara frigorifica.Sentaram-no noutra sala, em frente a uma mesa. Ao fundo havia um candeeiro com uma luz muito forte direccionada para a cara dele.Apercebeu-se de alguém ter entrado mas quando olhou para ver quem era sentiu uma dor lancinante na cara, como se lhe tivessem batido com um ferro. Ficou a sangrar do sobrolho e sentiu que dentro da boca havia algo solto. Era um dente.

“Espero que tenha sido o dente do siso, já tinha a cirurgia agendada para a semana. Assim poupo 150 €. Nem sei como lhe agradecer?”

“Folgo em saberr que tas de bom humorr… Assim vai serr mais fácil arrancarr-te o que querremos saberr, não é?”

Othelo cuspiu o dente para o chão e endireitou-se na cadeira. Preparava-se para o que estava para vir.

“Os meus clientes gostarriam de saberr alguns porrmenorres da tua viagem a Lisboa.”

“Eh pá, tão com azar então. É que eu já não vou a Lisboa desde o passado mês de Julho. Fui lá ver o Porto com o Benfic…”

“Paff…”

A violência da bofetada foi tal que parecia que a cabeça dele is saltar dos ombros.

“Mentes… Sabemos que estiveste em Lisboa na semana passada, agente Petrov.”

Othelo demorou um pouco a recompor-se da pancada, Voltou a endireitar-se na cadeira, tentou fitar o seu interlocutor através da luz intensa mas sem sucesso.

“Uiii, estamos mal amigo. Vais ter muito que explicar aos teus clientes. É que eu não sou esse Petrov que procuras. Chamo-me Othelo e volto a dizer-te que não sei do que falas, nem fui a Lisboa coisa nenhuma.

O seu interlocutor fez um esgar de raiva. Levantou-se e dirigiu-se ao seu colega que estava junto à porta.

“Onde estão os documentos deste individuo?”

“Err… Documentos, err…”

“Anda, mostra-mos, schnell.”

“Errr… Documen… Ahhh, já sei!! Pousei-os em cima daquela mesa ali… Já vou buscar. Não precisas de te enervar Riederer. Opss…”

Riederer?… Pensou Othelo. O nome não lhe era estranho. Seria o famoso torturador da Gestapo Wolfgang Riederer.

“Wolfgang… Wolfgang Riederer.”

“Vês idiot, este fulano é mais inteligente do que tu, paspalho. Devia matar-te de imediato, Schwein.”

“Agorra já sabes quem sou, também sabes o que te esperra se não colaborrarres.”

Wolfgang Riederer tinha sido um famoso torturador da Gestapo. Conhecido como “O Palhaço Patola” por utilizar uma técnica de tortura consistia em levar os torturados à quase loucura através das cócegas aplicadas aos pés e sovacos com penas de ganso patola, e só de ganso patola.O seu assistente trouxe finalmente os documentos apreendidos e entregou-os a medo a Riederer.Riederer franziu o sobrolho ao mesmo tempo que lia, incrédulo, os papeis que lhe haviam sido entregues.

“Parrece impossibel… Tu não és capaz de fazerr nada bem? Levem-no para dentrro novamente, rrealmente não sabe de nada, sabes porrquê ESTÚPIDO? PORRQUE ÉS UMA BESTA, TENS O CÉRREBRO DO TAMANHO DE UMA AMIBA.”

Disse Riederer aos berros.

“Vamos terr de mudarr de estrratégia… Que horras são?”

“São 14:50…”“Temos só nove horras para o encontro. Vai ser aperrtado mas acho que tenho a solução. MAS TU NÃO VENS COMIGO ESTÚPIDO, FICAS AQUI A CUIDARR DO PRRISIONEIRO.”

Othelo foi novamente enfiado dentro da arca frigorifica.

Entretanto, Pedro e Mary haviam chegado ao local da sede de operações da SIM no Porto. Situava-se nas traseiras de um edifício bem no centro da Rua de Cedofeita. Na frente, a palavra “Calor da Noite” em letras debruadas a néon.Ali funcionava durante a noite um bar de alterne que servia de fachada perfeita às actividades do SIM. Por outro lado era um bar frequentado pelos novos ricos do burgo. Jogadores de futebol, construtores civis, advogados, juízes e outros. Este facto tornava a actividade do SIM bastante mais fácil. Ninguém resistia aos encantos das beldades do clube e depois de uma noite bem passada não havia segredo que escapasse das bocas babadas dos clientes.Mary e Pedro  tiveram de bater à porta, àquela hora o clube encontrava-se encerrado.Do outro lado alguém lhes pediu a senha de acesso.

“Com que é que vamos derrubar a republica?” Perguntou a voz de dentro do clube.

Com bananas.” Respondeu Mary.

Acto continuo, a porta abriu-se e os dois entraram. Dirigiram-se para a sala do fundo.

O acesso ao centro de operações era feito através dos lavabos e havia uma entrada para senhoras e outra para homens. O processo era simples. Haviam duas sanitas, uma em cada lavabo, cujo acesso era efectuado através de uma porta que se encontrava fechada, e da qual apenas possuíam chave os operacionais da organização.Assim Mary e Pedro sentaram-se cada um na sua sanita e carregaram na descarga do autoclismo. Ouviu-se um ruído metálico e ambas as sanitas e as paredes por detrás delas rodaram 180º exibindo o interior da sala de operações.Era uma sala acanhada onde mal cabiam os 4 operacionais que durante as 24 horas do dia mantinham o posto em funcionamento. A sala estava equipada com um ecrãn gigante em uma das paredes onde se podiam ver imagens de satélite e imagens das câmaras de vigilância da cidade, cujo sinal tinha sido interceptado pelo SIM.

“Já sabemos o que aconteceu.” Diz DeCosta, mal Mary se aproxima dele.

DeCosta, era o responsável pela contra informação e  pela vigilância remota de todos os operacionais no terreno. Era de longe o membro da equipa que melhores qualificações tinha. Tinha estagiado na “Scotland Yard” no famoso MI5, até que um dia teve de abandonar por um caso de saias. Nessa altura foi convidado pelo governo regional para integrar a SIM, convite que aceitou de imediato, não por ser uma boa proposta de trabalho, mas poeque tinha um fraquinho por Mary, que conhecera numa acção de formação em Londres.

“Onde está ele?” Perguntaram Mary e Pedro quase ao mesmo tempo.

“Calma, calma. Ele está aqui.” Disse DeCosta apontando no mapa para a zona das docas do porto de Leixões.

“Não conseguimos localizar o ponto exacto, o sinal do localizador dele é demasiado ténue para ser captado pelo satélite. Mas sabemos mais” Disse enquanto abria um dossier e espalhava na mesa algumas fotos.

“São estes os responsáveis. Também sabemos que o alvo não era ele.”

“Então quem era o alvo?“

“O alvo era o Pedro. O responsável é o Lourenço, T.P. Lourenço.”

Uma sensação de revolta tomou conta de Pedro. Saber que afinal era ele o alvo e não o Othelo. Por outro lado sabia que a brigada do agente Lourenço era das mais temíveis e que recorreria a todos os meios para conseguir os fins, e isso, corroía-lhe as entranhas como se tivesse bebido um cocktail de acido sulfúrico. (continua)

Posted in SL. 7 Comments »

7 Responses to “Episódio 5 – Em busca de Othelo – Parte II”

  1. Elora Says:

    YES! Atrás do culpado!

  2. Fokas Says:

    Grande Othelo!!! A melhor novela da SL.

  3. Blue(Angel) Says:

    “cocktail de acido sulfúrico”, não era da mana de certeza!!! Força persigam esse culpado até ao fim!!! Não o deidxem escapar!!!🙂 queremos justiça!!!

  4. tpglourenco Says:

    “Por outro lado sabia que a brigada do agente Lourenço era das mais temíveis e que recorreria a todos os meios para conseguir os fins”
    Era pois, era a brigada Vitor Jara que tinha sido instruída a só cantar a Internacional Socialista na versão aprovada no congresso do PS de 1976, deixando milhões de camaradas a beira de um ataque de nervos ao perceberem que os bombos e os ferrinhos tinham caído em mãos supostamente inimigas.
    Olhe que não dr,olhe que não poderia vir a ser mesmo um grande negocio de venda de t-shirts, pois se podia, se calhar ainda é capaz de ser.Deixa lá apontar no meu caderninho.

  5. Afro Says:

    Othelo, desculpa lá…mas isto são dois episódios!!! Tá aqui uma pessoa a tentar poupar na net.. só pr ler o teu episódio vai-se o saldo todo… pronto, lá vou ter de deixar o episódio a meio…para ver se amanhã ou depois ainda vou a tempo do final😉

  6. pedrofpetrov Says:

    Bolas este episódio cheira mesmo a carapau!! othelo eu acho que a Mary e o Pedro vão te levar um sabonete para não cheirares tanto a carapaus. quero mais,quero mais,quero mais…

  7. Summer Wardhani Says:

    A sério, gajo, esta novela está absolutamente fantásticaaaa !!! Podemos começar a escolher os actores e actrizes ke keremos personifikem os personagens no filme ????

    Muitos muitos parabéns mesmo ! Tou mortinha por continuar a ler !🙂


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