Em busca de Othelo – Parte 1 – Episódio 4

Porto, 4 da manhã, Avenida dos Aliados.

 

Pedro conduz o automóvel a alta velocidade. Cruza os semáforos sem se preocupar com a cor deles, vermelhos, amarelos, nada o faz parar. Vira na Rua de Ceuta e estaciona na Praça Filipa de Lencastre.

Sai do carro  correr e entra no hotel Infante D. Henrique. Entra como se fosse o dono do sitio. O recepcionista tenta interpelá-lo mas é tarde demais já tinha entrado no elevador.

Carrega freneticamente no botão do ultimo piso. O elevador percorre os andares vagarosamente… O tempo para chegar ao ultimo piso parece nunca mais chegar.

O elevador para, a porta abre-se. Pedro dirige-se à suite a passo acelerado.

Bate à porta… Bate novamente… Do outro lado alguém parece dizer, “Já vou…”

Era a voz de uma mulher. Ouve-se o barulho da fechadura. A porta entreabre-se mas Pedro abre-a abruptamente projectando para trás quem estava por detrás.

“Sabia que estarias aqui.” – Disse Pedro ofegante.

“Que se passa? Porque estás aqui? E a estas horas? Perdes-te o juizo?” – A interlocutora estava incrédula com a surpreendente visita.

Pedro fixou-a com o seu olhar.

“Não sabes o que aconteceu?”

“O que foi? Estava a dormir.”

“Raptaram o Othelo…”

“Rapt… Quando? Como? Onde? Quem?”

“Há pouco, levaram-no enquanto telefonava para ti. Como podes não saber? Mentes…”

“Desculpa… A mim não me ligou ninguém esta noite. Ao contrário, eu é que me fartei de lhe ligar. Queria saber de ti. Da viagem a Lisboa. E depois, porque haveria eu de saber do paradeiro dele?”

“O nosso disfarce foi exposto, só pode ter sido isso, de que outra forma poderiam apanhá-lo.”

“Espera, pensa um pouco. Viste quem o levou?”

“Não, estava dentro do pub, ele disse-me que ia à rua fazer uma chamada para ti. Mas o tempo passava e dele nem sinal. Começei a ficar intrigado com a demora. Eis senão quando, a empregada de mesa me traz este papel.” – E entrega-lhe o papel, já bastante amarrotado.

Mary pega no papel e começa a ler.

Mary era a responsável pela SIM da qual Othelo e Pedro faziam parte. Eles eram os operacionais e ela a coordenadora logistica das operações.

A SIM– Serviço de Informações da Madeira, mais conhecida pela Camachorra era a responsável pelo desenvolvimento de acções de espionagem e contra-espionagem com vista à obtenção da independência da madeira em relação ao continente.

A célula à qual presidia com pulso de ferro e determinação, era a responsável pela sabotagem de estudos do governo da república para a instalação de grandes infra-estruturas no continente.

Actuavam como vendedores de jantes, infiltravam-se nos ministérios da metrópole, com o intuito de servir a sempre insaciável vontade de renovar o parque automóvel dos ministérios.

A constante troca de viaturas fornecia-lhes o salvo conduto para entrar nos meandros dos ministérios. Por razões insondáveis, as jantes que vendiam eram bastante pretendidas pelos ministros. Talvez fosse pelo facto de as mesmas poderem ser personalizadas ao gosto de cada um. Por exemplo, o ministro da economia tinha encomendado 30 pares de jantes com raios em forma de pás de aerogeradores. Já o ministro das obras públicas queria os raios em forma de avião com os nomes das quatro localizações possíveis para o futuro aeroporto de Lisboa gravadas no centro. Dizia que, a jante cujo pneu furasse primeiro era onde ele ia construir o aeroporto, por isso mandou por a jante da Ota e a do Montijo do lado direito, tendo dado instruções ao motorista para que não poupasse os passeios.

Mas considerações à parte, o esquema tinha funcionado bem até agora, mas este acontecimento ameaçava a integridade da célula e havia que resgatar Othelo o quanto antes.

Mary pegou no casaco e na sua mala de executiva e saiu com Pedro.

Faltavam menos de vinte e quatro horas para o prazo e tinham de fazer os possíveis por encontrá-lo antes, senão tinham de se expor aos raptores, e isso era coisa que não estava nos planos de Mary.

 

(continua)

 

Posted in SL. 3 Comments »

3 Responses to “Em busca de Othelo – Parte 1 – Episódio 4”

  1. Elora Says:

    Mas onde andou o Pedro até às 4 da manhã???

  2. pedrofpetrov Says:

    ahahahaah elora estive no teu bar a beber, já não te lembras?…Pois a bebedeira era de tal ordem que já não te deves lembrar mesmo.

    bjo e abraços.

  3. Fokas Says:

    Dá-me um “frisson” o conhecimento que este homem tem da SL e das pessoas que a frequentam.
    Uma escrita light, muito bem esgalhada com sentido de humor e sacanice.
    A revelação de 2007 na categoria de romance negro do metaverso.
    Um gajo “à suivre” com atenção!


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