Episódio 2 – O regresso

– O Porto é tão bonito visto daqui…, pensou ele, enquanto o comboio cruzava a ponte S. João rumo à estação de campanhã.

 

Para trás ficara uma semana difícil. Negociações difíceis com clientes, noites mal dormidas, mas acima de tudo, o facto de se ter visto privado de se encontrar com a sua adorada deusa.

 

Não via a hora de chegar à estação. No comboio não havia net, mas na estação havia um hot spot e ele estava em pulgas para desembarcar.

 

O comboio percorre os últimos metros até se imobilizar na plataforma, mas ele já estava junto à porta espera do momento final em que poderia sair daquela lagarta metálica e ir sentar-se no banco mais próximo, ligar o portátil e finalmente poder falar com ela.

 

23:59 – com um suave guinchar dos travões a composição imobiliza-se. Como um foguete ele sai disparado porta fora e desata a correr pela plataforma até entrar na gare.

 

Senta-se no primeiro banco que lhe aparece, nem se apercebe que quase se sentou em cima da cabeça de um mendigo, que pelo odor deveria estar conservado dentro de uma garrafa de álcool. Mas nada disso o perturbava. Arrancou o portátil da pasta…abriu-o…carregou no botão de ligar e…nada.

 

– POOOOOOOOOOORRRRRRRRRRRRAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA.

 

Pombas esvoaçaram, o movimento das pessoas parou como se o tempo também ele tivesse parado. O mendigo deu um salto e caiu redondo no chão, mas imediatamente voltou ao seu sono profundo.

Reparou que toda a gente olhava para ele, também não era para menos. A sua expressão era um misto de terror e desalento. Os olhos esbugalhados e raiados de sangue, o cabelo desgrenhado e os braços no ar segurando o portátil prestes a ser estilhaçado contra o chão, mas parou…, conteve-se, olhou à sua volta e entre dentes comentou…

 

– Trilhei o dedo na tampa, eh eh eh…

 

As outras pessoas voltaram à sua vida, as pombas voltaram aos beirais para dormir.

 

– Como é que me pude esquecer de carregar esta porcaria, porra. Disse para os seus botões.

 

Enfia o portátil na mala e corre…

 

Apanha o primeiro táxi que lhe aparece pela frente e dirige-se para casa.

 

Durante a viagem apenas um pensamento o ocupa, chegar a casa, ligar o computador e falar com ela.

Quando pensava nela até as lágrimas lhe vinham aos olhos, tamanha era a saudade.

Mas em casa sabia que se tinha de conter. Afinal era casado e a esposa não era mulher para brincadeiras.

Uma vez por causa de um mal entendido com uma empregada de mesa num restaurante ficaram sem se falar durante um mês.

Dependia da esposa para manter o nível de vida que mantinha. Todos aqueles gadjets custavam bom dinheiro e não era propriamente com o seu salário de vendedor de jantes que os podia comprar.

Já a esposa, vinha de uma família abastada, com propriedades. Além do mais ela era uma brilhante advogada. Como se conheceram…isso é para outro episódio.

 

O nosso amigo tinha chegado a casa. Ao entrar reparou que havia luz na sala.

Não era normal àquela hora, mas pensou que provavelmente a esposa havia adormecido na sala com ela ligada.

Ao chegar à porta ouviu uma voz de homem e risos que vinham do interior da casa, aí ficou mesmo com a pulga atrás da orelha.

 

– Mau, pensou, tu queres ver…

 

Abriu a porta e ouviu comentar…”olha chegou”.

 

Pousou a mala, tirou o casaco. Nesse instante a esposa abeira-se dele e diz-lhe:

 

– Tens uma visita.

– Uma visita?

– Quem?

– A estas horas…

– É o Othelo, disse-lhe ela.

 

– Othelo, que faz esse gajo aqui a estas horas, boa coisa não deve ser. Disse para si.

 

Armou um sorriso amarelo na boca e dirigiu-se para a sala.

 (continua)

Posted in SL. 7 Comments »

7 Responses to “Episódio 2 – O regresso”

  1. mermaid Says:

    porra. continua lá isso…

  2. pedrofpetrov Says:

    eheheheeheh, tanta imaginação, ouve lá a tua filha ainda não te estragou o teclado com tanta escrita?

  3. Afro Says:

    então o artistinha era (é) vendedor de jantes ???
    hum é bom saber (já não se pode confiar em ninguém…😉

    e faço minhas as palavras da mermaid…. Despacha-te lá com isso!!!

  4. pedrofpetrov Says:

    vendedor de jantes? Vai-se lá saber aonde este othelo desencanta as personagens…;P

    Epá 1 por semana?…xiiiii isso é muito não te canses!

  5. othelo Says:

    Queridos amigos.

    Os vossos comentários fazem-me sentir como o Bardo das histórias do Asterix o Gaulês.
    Se não quiserem que continue amarrem-me em cima de uma árvore por favor.

    Othelo

  6. ElectroescadaS Says:

    VÊ lá se o teu desejo se concretiza, é que tenho uma corda milagrosa…

  7. Bankinha Says:

    Othelo fantastico!!!
    Parabens a tua imaginaçao!

    =)


Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: