E quando as nuvens partirem

Bem…em tempo de Carnaval ninguém leva a mal que as crónicas tenham ficado em molho branco. As moças não tem aderido ou porque estão fartas ou tem medo da repressão…Fica portanto esta devidamente arrumada em “as Nossas Crónicas” à espera de melhores dias…

Baralhar e dar de novo

A Margarita esqueceu-se de pôr o aviso de propósito porque é muito shy!…mas as nossas crónicas continuam!

Melampus

Aquela mulher é um desatino… Nasceu  de certeza aos gritos e a dar ordens!  Eu sabia os riscos que corria e não eram poucos…muito menos ser apanhado em Leiria, que não era, nem de longe nem de perto um  terreno favorável… Ainda tinha a boca a saber a papel de música, a cabeça aos saltos da noite anterior com a Mermaid e sabia que o meu comportamento obssessivo  se estava a tornar perigoso… As pessoas que são apanhadas por sapatos, roupa ou automóveis vermelhos, têm uma falsa sensação de que possuem energia suficiente para ficar acordadas a noite inteira, para escrever até ao amanhecer ou para ficar sem comer… Ora o Jorge já me tinha avisado…a dependência é uma besta que dá cabo do desejo…  Mas tinha finalmente o caderninho da Philbin no meu bolso e iria conhecer em detalhe, os nomes  e moradas na SL de todos os fãns daquela messalina devassa!  E tinha tempo para recuperar os orgones perdidos…o dia estava frescote, a praia quase deserta e fazia um sol de Inverno radioso…

As minhas relações com as gentes da Nazaré datavam da minha adolescência, graças a uns negociantes de cortiça, “montanheros” de S. Brás, amigos da família, que todos os anos alugavam uma casa “à época”….como na altura se dizia. Voltar a acordar em 2008 na mesma praia, depois de uma noitada louca, não tinha sido a primeira vez….e a Nazaré, ao contrário do que sucede noutros sítios que não me dizem nada, tinha uma história… esta praia tinha para mim um fascínio quase mágico. Sentava-me muitas vezes na areia ao fim da tarde para me deixar embriagar pelo pôr-do-sol, a observar os barcos que regressavam, o prateado das redes reflectidos nas águas, de mais um dia de trabalho arrancado ao mar…

Melampus, corria, solto, sorria…Acabava de trazer na boca uma estrela. Entrava na brincadeira do vai e vem das ondas e depois cansado, deitava-se ao pé da primeira pessoa que encontrava e lhe desse um pouco de atenção. - O meu cão está a incomodar-te? – Não! Porquê? – respondi como a Elora ainda hoje faz, sem me virar e deparar com uma louraça bonita, peituda, que vestia um bikini vermelho. Aos vinte anos todas as mulheres são lindíssimas como na SL e eu andava desesperado à procura de uma. E foi assim que conheci a Teresa.

Combinámos um encontro para a noite, e enquanto Melampus corria, solto e sorria…os nossos lábios uniam-se e eu pasmado que algum dia se pudessem separar, de que não se soldassem para sempre…promessas parvas que todos os amantes ridículos trocam, quando estão apaixonados e tornam os dias horrorosamente longos e difíceis de suportar sempre que estão longe um do outro. Teresa, este nome tão camiliano que lhe cai a matar. O meu também não estava mal, pelo menos era mais bonito que Simão, que caíra em desuso nos pós 25 de Abril, até aparecer o Sabrosa, que os lagartos tinham deixado fugiu para mais tarde regressar ao “Glorioso” e voltar a desaparecer de novo. Mas não é de futebol que se tratava aqui, mas de uma verdadeira paixão que quase arruinou a minha vida.

Agora vamos ao que interessa aos leitores…o caderninho da Philbin!

Não queria acreditar no que me estava a acontecer… Páginas e páginas com nomes e detalhes de “lingerie”, lojas e preços, medidas, sites de internet, toda uma panóplia de informações que deixam qualquer homem corado…e nada de nomes!! Tinha sido bem enganado e começei a recear pela minha vida. Ainda por cima a Philbin sabia que eu estava na Nazaré! Que fazer? Em situações complicadas recordo-me sempre desta pergunta histórica e decidi…Vou apanhar o ascensor que faz a ligação ao Sítio, como um prato de percebes, bebo uma bejeca e piro-me depois para Lisboa! Dificilmente a Philbin me vai apanhar lá em cima!

(enquanto houver estrada para andar…a gente promete continuar)

Noche buena

Uma viagem com o “Peixe pro gato” é sempre uma aventura! Recordámos o madeiro de Natal, que durante dois ou três dias na praça, frente à igreja era local de convívio de todos os Barranquenhos…  que entram e saiem das duas “Sociedades” com as gargantas  já bem saciadas. Mas ainda com muito espaço, para os prazeres da ceia que habitualmente se segue à missa do galo. Falámos de quase tudo o que tinha ficado para trás…. Mas eu não conseguia deixar de pensar nas pernas da Philbin…
- Fokas…na tua idade devias fazer como eu…uma professora, pá…uma tipa estabelecida!
- Tó… vai-te catar (O “Peixe pró gato” estava gordo e grisalho e parecia um atum). Tiveste sorte pá!…eu não tenho!

Não via o gajo desde que tinha aparecido na televisão a levar uma cornada do toirû, fugindo para baixo do tabuadû… o que lhe salvou as partes mais delicadas, mas não das muletas durante uns meses! Estava na boa….claro… voltar a Barrancos pelo Ano Novo é sempre uma experiência a não perder! Terra de encontros que moldam este pobû, cioso da sua terra e das suas tradições.  Depois seguem-se as horas que passadas na palheta em frente de um xiringuito, um caldilho para acamar e um catalanito fresco assado nas brasas que transformam qualquer mulher numa sevilhana e qualquer homem num princípe arábe… Não há local mais maravilhoso para um retiro…para meditar sobre as origens da vida e os mistérios do universo…do  que um fim de semana em Barrancos! O M2 que confirme aquilo que estou a dizer…

Mas agora tinha que ir ver os velhotes.
-Almoças comigo e depois falamos à Mermaid. Esta noite quero ir curtir para a Nazaré!
- Por mim tudo bem…sabes que até curto os teus velhos. E essa tua amiga do SL…. que os putos do Politécnico não largam…também gostava de lhe pôr a mira em cima. Combinado!- respondeo o “Peixe pro gato”.
A conversa ao almoço foi delirante… Os velhotes receberam-nos com os braços abertos. O “Peixe pro gato” também estava inspirado… Falou sobre a “Verde Eufémia” escandalizado, por terem queimado uma produção de milho “estrogénico” que um Sr. Ibra  de Silves tinha plantado para fazer pipocas para as netas e para vender na SL. Segundo ele, era tudo uma provocação das multinacionais e o meu pai preocupado com o vinho marado que produzia…só podia concordar. A minha mãe, alheia à discussão, mas mais atenta à realidade…sussurrava como se a rezar - Filho…estás com tão mau aspecto… Desde que a Teresa te deixou…nunca mais foste o que eras. Eras tão bonito e tão gordinho!
- Mãe…como umas pizzas…almoço na BN e vou jantar de vez em quando a casa de umas amigas!
- Dessa Tokyoska e de outras do género…és um tonto meu filho! ( e eu a pensar nas pernas da Philbin…)
- Mãe…elas cozinham bem! (O que andará ela a fazer a estas horas?)
- A Teresa é que sabia tomar conta de ti. Enfim meu filho…tenho tanta pena… (Não havia mais nada a dizer. A velha não entendia nada. O meu pai já estava com o nariz avermelhado maior do que o do “Peixe pró gato” ).
- Gostei imenso de vos ver, pais…estão óptimos e com boa cara ! Lindamente um pro outro! Digam às manas que lhes mando beijinhos!

- Tó!!!…vamos embora…leva a garrafa se não consegues parar! Disse à Mermaid que a ia buscar a casa para jantar!

Tudo aquilo que aqui se passou é verdade! Só os poetas são uns mentirosos.
A noite na Nazaré foi o máximo… A Mermaid dominava a zona e acabámos não sei aonde.. Acordámos na praia a ver o dia nascer… e eu a pensar outra vez nas pernas da Maggie… (To be followed).

Alhures

Estava a chegar a Leiria com instruções precisas do “Old Spice” para falar com a Mermaid quando recebi o SMS da Maggie “Fokitas…és um querido, mas meninos como tu… como eu ao pequeno almoço! Assinado  Pilhbin”. Estava outra vez entalado. Uma das manas já me tinha falado: – Desaparece da cena… mano Caetano (era a senha)! Já temos o microfilme…vai almoçar com a mãe que quer saber de ti e não pára de nos chatear! Bjs  e vê se atinas! Deita-te cedo…que a SL anda-te a fazer mal!  ( à Suivre!)

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