À Boleia Pelo SL

A ideia de nos podermos teleportar para qualquer lado é fantástica, se bem que pouco original. O facto é que, muito antes dos Lindens criarem o SL, já muitas pessoas pensavam nisso enquanto seguiam a passo de caracol no trânsito, aguardavam os fugazes autocarros ou tentavam desesperadamente chamar a atenção de um táxi num dia de chuva. Claro que a tecnologia RL de teletransporte ainda está muito atrasada, embora haja já casos documentados de quem tenha feito teleportes bem sucedidos entre o Bairro Alto e Pedrouços. Os utentes desse serviço não têm qualquer memória do percurso (nem sequer da barrinha prateada) limitando-se a dizer que chegaram a casa num piscar de olhos. Cientistas de todo o Mundo analisam actualmente este fenómeno, havendo indícios de que esteja relacionado com uma determinada marca de Vodka.

Em Sl basta termos alguma ideia do sitio para onde nos queremos deslocar, o que nem sempre é possível, não só porque a dita marca de vodka está associada à maioria dos cocktails, como também porque, devido às vantagens dos teleportes, acabamos por viajar imenso em nem sempre nos preocupamos em decorar o caminho (ou ficar com a Landmark). Resta-nos sempre a capacidade divinatória do Search, método fácil mas de resultados imprevisíveis, como seria de esperar numa ciência esotérica. Nunca me esquecerei quando a busca pela loja de uma das minhas designers preferidas me levou a uma sala de orgia, mas essa aventura já dava outro post. Serve no entanto para realçar um dos conselhos inúteis deste post: pensem bem antes de se teleportarem. Se aparentemente é fácil teleportarem-se para fora, o referido sistema de transportes falha nas alturas mais inoportunas e se se for um newbie e ainda não se souber mudar o local de entrada na grelha enquanto off line… Mas eu disse que falava disso noutro post.

Outra das questões que me trouxe aqui são as boleias. Todos nós passamos a vida (real) a ouvir dos nossos pais conselhos supostamente úteis (que não de bartender) sobre não dar conversa a estranhos nem aceitar boleias de desconhecidos ou pessoas que não pertençam à família. Pois a parte de dar conversa a estranhos caiu em orelha moucas para todos nós, ou não andaríamos metidos nesta vida dupla, que isto sem conversas com estranhos (e também com pessoas estranhas) não tinha piada nenhuma. Venho pois apelar à moral e lembrar-vos que em alguma coisa os vossos pais tinham razão. Nem é apenas o perigo de aceitar boleias de estranhos e ir parar ao Clube Socio-recreativo da Comunidade BDSM de Marquis the Sade Island, é que certos estranhos não se contentam só com uma boleia, querem logo duas ou três.

Exemplo: vão com uns amigos a uma festa. Há um estranho(a) que mete conversa e/ou vos oferece amizade. Se forem uma Bartender avantajada, como eu, aceitam logo. Primeiro porque é feito raro, depois porque rejeitar amizades é mau para o negócio e por fim porque os Bartenders são supostos conhecer toda a gente. Parte desses estranhos ficarão de facto, vossos amigos, parte dirão olá quando o rei faz anos, uma grande parte nunca mais vos dirigirá palavra e os restantes irão oferecer-vos boleia até à morte. E quando digo até à morte é mesmo literalmente, uma vez que até podem aceitar a dita boleia que eles continuarão a oferecer-vos o mesmo, de dez em dez minutos, mesmo estando ao vosso lado, até vocês morrerem (ou fazerem log out, o que acontecer primeiro). Quando isto acontece só há uma solução: eliminar os ditos estranhos da vossa lista de contactos. E isto, meus amigo, é um mal necessário, até para quem não tem muitos amigos. Afinal, de vez em quando clicamos na resposta errada e pufff, lá vamos nós a caminho da Escola de Samba de Vila Bão, deixando um sequioso parceiro pendurado na bolinha e arriscando-nos a chegar com trajes, animações ou poses complicadas de explicar, mesmo para a comunidade brasileira mais liberal do pedaço… Não que isto alguma vez me tenha acontecido, é só para enfatizar o perigo das boleias.

Por fim, que o post já vai longo e a imaginação a acabar-se, há que ter cuidado com as pessoas a quem oferecemos boleias. Eu sei que vocês só oferecem boleia aos amigos e que vão buscar o contacto à vossa lista e não ao search mais próximo. Mas se não mantiverem a lista limpa, uma pequena distracção, um dedo mais pesado na tecla do rato e aí têm o vosso chefe à frente, com um “Why did you want me here?” a saltar das teclas, enquanto vocês tentam desesperadamente fazer wear a qualquer coisa que esconda texturas de latex e vinil. Não que isto me tenha alguma vez acontecido, é só um exemplo. (Valiant, if you are reading this, your translater is messing things up, I never ported Lester anywhere).

Fica assim explicado porque é que vos recomendo sempre que se teleportem com cuidado. Numa próxima oportunidade abordaremos o voem baixinho.

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Quem vê caras…

Para início de conversa há que estabelecer a importância do aspecto físico dos avatares. A premissa de que o físico não interessa, o importante é a pessoa por detrás é verdadeira mas, tal como todas as verdades, não é absoluta. Se, por um lado, num mundo em que todos somos lindos o aspecto humano sai realçado, por outro o facto de todos sermos bonitos torna óbvia a importância dada por cada um ao aspecto do avatar. E todos nos preocupamos com esse aspecto, tal como se pode comprovar verificando quão rapidamente se perde o “Ar de Newbie”.

Estabelecida a importância do aspecto físico, passemos à paisagem do balcão do meu bar. Para quem não conhece, Laguna é um local aprazível e arejado junto ao mar. Do meu balcão vejo quase todo o Club, bem como o dito mar. Vejo muito mais se exercer todo o poder que tenho sobre o controlo da câmara, mas a verdade é que em poucos dias a novidade se esgota. E esta é outra das razões que me levam a convidar pessoas a dançar em cima do meu balcão. Se é verdade que prefiro avatares masculinos (como expliquei no post Sexo atrás do balcão), a necessidade de variar a paisagem leva-me a aceitar também avatares femininos, especialmente se forem portadores de longas pernas, característica que não possuo, mas da qual sou apreciadora.

Ora o facto de quase todos os avatares femininos serem possuidores de intermináveis pernas leva ao uso quase compulsivo de saias, muitas vezes em fabulosas versões mini, que se remexem e flutuam enquanto o avatar que as enverga dança descontraidamente em cima do meu balcão. Apesar de não estar geralmente entre as minhas preferências, sou apreciadora da beleza humana em qualquer dos géneros (não, não convido furrys a dançarem) e apraz-me contemplar as ditas saias e percorrer com o olhar a imensidão das pernas, começando nos sapatos e prosseguindo perna acima até me perder no Infinito. E, deixem que vos diga, Infinito é a palavra correcta, uma vez que, numa grande número de casos, as meninas tendem a não se preocupar com aquilo que não é visível. Não que eu esteja propositadamente à procura do Infinito, mas quando este se encontra em cima do balcão a revirar-se é quase impossível desviar o olhar.

Podemos dizer que são apenas bonecos e portanto não é importante, mas já discutimos acima a relevância do aspecto físico e há livros eróticos repletos de bonecos e que são inclusivamente mais vendáveis do que os que contêm fotografias. Os japoneses têm cultos inteiros à volta disto, mas há que abreviar que o post já vai longo.

Como tudo em SL a roupa interior tem a importância que cada um lhe dá. Assim, não entendam este post como um apelo à roupa interior que, aliás, é peça de vestuário que uso apenas para saltar de pára-quedas. Vejam-no sim como uma chamada de atenção para um aspecto de SL em que normalmente não pensam, mas com o qual uma Bartender é confrontada diariamente.

Quanto aos avatares masculinos, aguardem um post sobre a influência indiscutível e incontornável do Kilt na Civilização Ocidental e a importância do respeito das tradições nos Valores Humanos e consequente Salvação da Humanidade. Voem baixinho e teleportem-se com cuidado.

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Canção do Bandido

Como Bartender observar e registar é parte fundamental das competências da profissão. Mesmo sem ter caderninho, aqui vos deixo alguns conselhos que poderão (ou não) ser-vos úteis.

Como Engatar um Avatar Feminino

Primeiro, e tendo em consideração que a maioria dos utilizadores destes conselhos serão do sexo masculino, convém esclarecer: quando digo engatar não me refiro a mudanças nem a caixas de velocidades.

Segundo: jamais ser directo. Se se aproximarem com a clássica frase “tens câmara e msn”, não só estarão condenados ao fracasso, como provavelmente o vosso avatar terá de pagar para conseguir companhia num tapete animado.

Terceiro: humildade. Não é uma tarefa fácil. Se o avatar que pretendem engatar (se te vem à ideia o pedal da embraiagem volta ao inicio do post) for bonito, há-de ter dezenas de gajos a dar em cima. Se for feio… já viram a quantidade de autoconfiança que é necessário ter para jogar um avatar feio? Estarão à altura de uma personalidade desse tipo?

Quarto: paciência. Não podem partir imediatamente para o pedido de amizade. Mais um vez, se for um avatar bonito tem mais amigos que um banqueiro. Se for um avatar feio… até pode ser que aceite, mas depois vai bombardear-vos de perguntas. Estarão preparados para responder?

Quinto: prudência. Cuidado com as perguntas que fazem. Se a RL dela fosse interessante acham que estava aqui? Perguntem sobre os gostos pessoais, as experiências de SL e as preferências. Não perguntem sobre emprego RL, marido, filhos, peso, altura ou tipo de champô.

Sexto: bom senso. Tentem encontrá-lo. Se tudo o mais falhar peçam-me a Landmark. Não adianta abusar dos elogios, das piadas parvas ou das frases de engate (mecânica, cinco conselhos acima). Se a miúda fosse burra acham que andava aqui?

Sétimo: química. Este é simples, ou há ou não há.

  Como Engatar um Avatar Masculino

Se eu soubesse acham que passava tanto tempo atrás de um balcão? Bom Ano e voem baixinho. 

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Sexo atrás do balcão

 Há uma parte desta vida de Bartender que se assemelha a ver passar navios. Na hora em que tudo se prepara para as festas, arranjam-se e emparelham-se, nós estamos a trabalhar. Vamos ouvindo as bocas de quem se diverte, sem sairmos do sítio e com um nível crescente de frustração. Ok, a profissão é gira, ouvimos as cusquisses todas, ajudamos o pessoal a ajudar-se e ainda bebemos um copo. Mas depois, quando o trabalho acaba e queremos ir dançar, deparamo-nos com a triste realidade do regresso à adolescência: a música é a mesma, estivemos tempos infindos a escolher a roupa certa e, no fim da festa, quando começam os slows, está tudo aos parezinhos MENOS NÓS!

Verdade que isto nem sempre acontece, lá há uma vez ou outra em que simpáticos mancebos nos convidam para dançar, ou porque são muito novos para serem sábios ou porque querem provar que as bocas sobre o colesterol eram no gozo. Se bem que houve uma cena com uns calções belgas… mas afasto-me do ponto deste post.A ideia é que, para lá do glamour todo da profissão, o sexo atrás do balcão é um bocado como o sexo dos anjos, toda a gente o discute (e fala-se imenso disso) mas verdade, verdadinha, nicles. O que significa que, mesmo quando nos precavemos e levamos dois tipos para a festa, vamos acabar a solo porque, por mais que saiamos do bar e retiremos a tag, a verdade é que somos a Bartender, aquela gaja fixe que até sabe uns sítios giros e ajudou a resolver a discussão com a Jaquina.

Portanto, caros amigos, não se surpreendam se, quando visitarem o meu bar, eu vos convide para dançar em cima do balcão. É que não só a vista é muita boa, como provavelmente é o mais próximo que me consigo aproximar de um gajo a dançar.


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Mesmo com este reverso da medalha continuo a achar que tenho a melhor profissão do Mundo (dos dois mundos, na verdade) e a disponibilizar-me para futuras lições, bem mais agradáveis. Até lá voem baixinho e teleportem-se com cuidado.

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Clube dos Corações Partidos

Se há três meses atrás me dissessem que existia alguém com o magnífico dom de me fazer voltar a ter 18 anos, eu recomendar-lhes-ia o psiquiatra mais próximo. Se é certo que o tempo não anda para trás, também é certo que não quero que ele ande, pois do que melhor me lembro dos meus dezoito anos é que tudo dói muito. Era um drama não sair todos os fins de semana, não entrar para a faculdade, não ter aquele fato de banho, não estar ao telefone n horas, não ser correspondida, não tirar a carta. Podem achar que algumas destas coisas serão mais dramáticas que outras, mas o facto é que hoje, friamente, acho que dava conta não só das que me acontecerem como também das que me poderiam  ter acontecido e com metade do sofrimento.Claro que o facto de ter orgulho nas minhas evoluções e querer conservar a minha sabedoria (ou só eu é que era parva aos 18 anos?) não quer dizer que não guarde uma certa nostalgia. Afinal, por entre roupas emprestadas das amigas, namorados roubados e trocados e vómitos na Rua da Rosa, ainda houve muita música boa, muitas gargalhadas e muitas conversas profundas em becos esconsos (bem regadas, ou fumadas, com gin e outros espíritos), que ainda hoje me trazem à espinha um arrepio e aos lábios um profundo suspiro.Eis senão quando descubro um mundo em que é tudo bom! Se não vejamos: posso estar acordada a dançar até às tantas que ninguém me pergunta nada; mantenho a minha (algo duvidosa) sabedoria; as bebidas e outros vícios não provocam vómitos; os telefonemas continuam intermináveis, mas chamam-se IM e são de borla, as roupas podem emprestar-se sem que as amigas se apoderem delas para sempre (só empresto se for copy). Quanto aos namorados, ainda só cheguei há dois meses e portanto a experiência ainda é pouca, mas parece que abundam e estão-se lixando para o facto de eu ser gorda. Onde raio andavam vocês quando eu tinha 18 anos?O que é que falta para me sentir com 18 anos? Bom, se calhar a música e o ambiente. Enter TPGlourenco, que rapidamente conquistou o meu incauto coração de newbie, pelo fabuloso espaço que dinamiza, o excelente sentido musical e um sentido de humor magnifico. Claro que fiquei apanhada ao ponto de declarar os meus sentimentos aos berros numa pista de dança e pedi-lo publicamente em casamento (no que fui logo copiada pela mana Blue!).Ora chegamos pois à razão do corrente post e do primeiro grande drama que me acontece há dezoito anos… desde que tinha dezoito anos… agora que tenho outra vez dezoito anos… Qualquer coisa! Parece (dizem por aí) que o TP vai casar. Ora, sendo eu Newbie não conheço a grandessíssima … felizarda, nem quero conhecer que assim é mais fácil odiá-la (porque é que tenho a certeza que ele escolheu uma tipa à maneira?)Tem, então, este posto dois propósitos: primeiro, fundar o Clube dos Corações Partidos, de que serão membros todas aquelas (e aqueles) que estão certamente apaixonados pelo mágico do tempo.; segundo, colocar os meus préstimos de bartender à disposição de todos os membros que quiserem vir comigo chorar a perda de tão garboso mancebo (que se a tipa for esperta acabaram-se os slows). Aqui é a parte em que eu desejo aos noivos as maiores felicidades e até desejo, mas sou tão má perdedora… Portanto, olhem, voem baixinho.

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