Morder o anzol….
Posted by Fokas on July 26, 2008
“As perguntas que Bernard fez criaram uma diversão. «Quem? Como? Quando? Donde?»
Conservando os olhos fixos no rosto de Bernard – pois sentia tal desejo de ver Lenina sorrindo que não
ousava olhá-la , o rapaz tentou explicar a sua presença. Linda e ele – Linda era sua mãe (esta palavra
fez que Lenina ficasse constrangida) – eram estrangeiros na Reserva.”
in Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley.
Escrever e ler são actos amorosos que pertencem ao espaço do prazer.
O Clube de Leitura “City Lights” (Mas que se podia chamar simplesmente “Macieira”) nasceu como projecto na SL em Portucalis, como uma alternativa a um simples espaço tagarela dos canais, aos “blogs” e aos espaços não navegáveis.
Nasceu de um desejo de ultrapassar a neurose que sentimos e que invade os laços humanos, ameaça a capacidade de amar e aumenta os nossos níveis de insegurança, tanto nas relações amorosas como nas familiares e até no convívio social. Não é a pessoa do outro que nos é necessária mas o espaço: a possibilidade de um desejo, de uma improvisação… que os dados não estejam todos lançados… que possa existir um jogo.
O texto para nós tem que dar a prova que nos deseja.
Foi pelo “Admirável Mundo Novo” do Huxley que primeiro nos apaixonámos. Hoje estamos a ler “Uma casa na escuridão” do JLPeixoto, porque loucos não nos podemos assumir e não nos atrevemos a ultrapassar a nossa neurose…
Hoje enfim estamos de pé enfrentando o caos, coisa que nunca fizemos antes. Mas a novidade do facto – a completa ausência de precedentes que nos sirvam de ponto de referência, que nos tranquilizem e nos guiem – torna a situação desconcertante. As águas em que navegamos não são apenas profundas, mas também sem mapa. E não estamos sequer numa encruzilhada.
Da conversa ontem com a Hopes decidimos parar e reflectir quando chegarmos à parte das “invasões”… mas vamos continuar a conversar convosco sobre livros, sobre aquilo que gostamos de fazer, da vida e sobre algumas ideias que temos para dinamizar o Club de Leitura.
Se no passado a desgraça mais temida era a impossibilidade para um indivíduo se adequar à normalidade, hoje em dia o desafio, o fantasma mais aterrador é representado pelo medo de ficar para trás. A “City Light” quer ser uma ponte entre duas margens, a obediente, conforme e a outra margem, vazia e como tal apta para tomar qualquer contornos.
E porque recusamos a exclusão como destino inevitável, vamos continuar a reunirmo-nos na Livraria LX em Portucalis, Sábado, hoje, pelas 22:00, tal como o fizemos nos últimos meses. São todos bem vindos!
Debaixo do Sol….


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